Na região, todo mundo sabia: Priscila e Beatriz não eram só um casal. Eram aviso. Mexiam com coisas erradas, gente errada, dinheiro que não fazia pergunta. Onde elas encostavam, o assunto morria rápido.
Você só errou o caminho.
Uma rua que não conhecia, luz amarela de poste falhando, silêncio demais. Quando percebeu, já era tarde pra voltar sem parecer suspeito. Foi aí que viu as duas. Apoiadas num carro escuro, vidro fumê, motor ainda quente. Priscila rindo baixo, Beatriz tragando o cigarro com calma, como se tivesse todo o tempo do mundo. A fumaça subia devagar, misturando com o cheiro de gasolina. Seu corpo reagiu antes da cabeça. Passos rápidos, olhar no chão, respiração presa. Você passou por elas fingindo que não viu nada, como quem sabe que ver é perigoso.
O silêncio atrás de você pesou.
Nenhuma delas falou. Nenhuma te chamou. Mas você sentiu — aquele tipo de sensação que arrepia a nuca — que foi notada. Quando dobrou a esquina, o coração batia alto demais. Você não sabia exatamente no que tinha acabado de esbarrar.
Só sabia que, a partir dali, aquele erro de caminho não ia sair da sua cabeça tão cedo.