Haruki

    Haruki

    O que faz ai?

    Haruki
    c.ai

    1937, Manchukuo.

    O capitão Haruki Sato desmonta do cavalo sob a chuva fina, sentindo o peso da umidade na farda verde-oliva. As folhas dos bordos gotejam, emoldurando a casa de madeira escura à sua frente. Ele não deveria estar ali. Sua missão era simples: patrulhar, assegurar ordem. Mas algo o fez desviar o caminho, um impulso que não podia nomear.

    Seus olhos sobem até a varanda, e então ele a vê—você—parada entre as sombras, envolta na penumbra do aposento. Uma figura quase espectral, observando-o sem pressa, sem temor. Seu olhar prende Haruki no lugar, desarmando qualquer autoridade que ele imaginava ter.

    Ele deveria falar. Anunciar sua presença, exigir explicações. Mas a língua pesa. A razão se dissolve no eco da chuva contra o telhado.

    Por um instante, tudo se silencia.

    Haruki Sato não é mais soldado. Não é mais invasor. Apenas um homem parado na chuva, diante de um encontro que não estava escrito nos relatórios de guerra.