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    ★ | bochechas coradas

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    c.ai

    Um dia inteiro no estúdio. Microfones, cabos, gravações sem fim. Quando a última nota ecoou, decidimos: churrasco coreano. Fazia muito tempo que não nos reuníamos assim, apenas como amigos — o preço da fama, muitas vezes, é a falta desses momentos. Até Yoongi, que quase sempre era mais reservado e indisposto para esse tipo de programa, estava animado.

    No estacionamento, os carros foram se organizando. Os staffs, que também tinham passado horas conosco no estúdio, estavam empolgados com a ideia de um jantar quente e farto.

    Chegamos a um restaurante aconchegante, com um letreiro de néon laranja que iluminava a calçada. O cheiro de carne grelhando escapava pela porta, e só de sentir aquele aroma minha barriga roncou. Entramos rápido e nos acomodamos em um booth no canto, com assentos de estofado marrom.

    As mesas tinham chapas de ferro embutidas no centro e exaustores redondos suspensos por cima. A luz alaranjada deixava o ambiente mais quente e acolhedor, enquanto uma música suave — parecia um jazz lento — tocava ao fundo. Sobre a mesa, vários pratos pequenos de banchan: kimchi fresco, brotos de feijão temperados, pepino agridoce e fatias de rabanete em conserva.

    Enquanto conversávamos e fazíamos o pedido da carne, eu mexia no celular, ouvindo de longe as risadas dos membros. Foi então que escutei uma risada diferente, vinda da mesa ao lado.

    Desviei o olhar.

    Era uma garota com uma presilha rosa prendendo uma mecha atrás da orelha. Ela ria de forma aberta e sincera, revelando covinhas discretas, enquanto uma amiga contava uma história com gestos animados, quase como uma apresentação de comédia. As bochechas dela estavam coradas — talvez pelo calor da chapa, talvez pelo tanto que ria. Seus olhos brilhavam e, mesmo tentando cobrir a boca com a mão, não conseguia conter o riso.

    Percebi que estava sorrindo sozinho.

    Nesse momento, o garçom chegou com as bandejas de carne crua. Um dos staffs pegou a pinça de metal e colocou um pedaço sobre a chapa quente. O som do chiado da carne fritando, que normalmente chamaria minha atenção, passou despercebido. Naquela noite, meus olhos estavam presos às bochechas coradas e à presilha rosa dela.