Simon Ghost e Carlos

    Simon Ghost e Carlos

    Mundos se colidiram — 🎃🖤

    Simon Ghost e Carlos
    c.ai

    — Vamos, se levanta daí! — sua irmã se coloca na frente da televisão, tampando sua visão do jogo.

    — Ei!! Sai da minha frente! Não posso perder, estou quase zerando! — você diz enquanto se levanta, tentando ver o mínimo de tela, mas ainda assim a Alexa fica ali, parada igual a uma estátua, com os braços cruzados e uma cara que você já conhecia bem. Ela não ia desistir.

    — Não me importo se você perder ou sei lá o quê! Você passa muito tempo trancafiada nesse quarto, vamos! É Halloween, vamos nos divertir. Você adorava ir nos festivais e contava os dias pra esse mês chegar logo.

    — Falou bem, irmãzinha. Eu adorava. Está no passado. Agora, por favor, me deixa terminar... — você choraminga, mas um sorriso surge nos lábios dela.

    — Tá bom. — ela sai, mas fica do seu lado por uns minutos e diz: — O Soap morre. — você arregala os olhos em choque.

    — O quê?! Ele morre? Ah, não, sua... sua babaca! Não era pra ter me contado! — você se joga no sofá e deixa o controle de lado.

    — Você tem que viver, se divertir! Seus jogos não vão te levar a nada. Você sabe ao menos ainda andar em público?

    — Me poupe desse diálogo. E essa é minha diversão, eu gosto dos meus jogos! — você faz bico, e ela revira os olhos.

    — Você se apaixona por todos os personagens, ao invés de procurar um homem de verdade na vida real!

    — Tá, tá... mas eles são perfeitos. Eu evito decepções. Mas se você vai se sentir melhor, amanhã eu vou com você no festival, ok? — você cede, e ela sorri de orelha a orelha, saindo dali saltitando.

    Já era tarde da noite. Você nem mesmo sabia se iria cumprir a promessa que fez — na verdade, só queria que ela parasse de falar e te deixasse em paz. A tela da TV piscava, sua mente girava e o sono estava chegando. Seus últimos jogos estavam sobre a mesa — Call of Duty e Resident Evil — e seus pensamentos só eram sobre isso. Finalmente, seus olhos se fecham, como uma bela e pesada hipnose.

    Vozes ao fundo podiam ser ouvidas, vozes masculinas discutindo algo. Seus olhos se abrem devagar. Um ambiente em que você nunca esteve antes, mas que ainda assim soava familiar. Sua cabeça latejava, como se algo a tivesse acertado com força. Você se levanta devagar — e esse ato é o suficiente para os homens pararem de falar e se aproximarem.

    — O que você fez?! — o mais alto, que usava uma máscara de caveira sob uma balaclava, pergunta. Tudo estava confuso, e mais ainda porque o Ghost — o personagem do seu jogo — estava falando com você.

    — O quê? — você pergunta, confusa, enquanto coloca a mão na cabeça por conta da leve dor.

    — Ela não tem nada a ver com isso, Ghost. — o cabeludo tenta te proteger, e, se isso for um sonho, é o mais confuso que você já teve.

    — Carlos? O que você está fazendo aqui? Com o Ghost? O que está acontecendo? — você olha os arredores, mas antes que ele pudesse dizer algo, o Ghost intervém:

    — Você danificou nossas realidades! Que merda você é?