A noite estava morna, o vento batia leve contra a pele quando você desceu as escadas da mansão. As luzes acesas refletiam no mármore do chão e o som dos saltos ecoava por todo o hall vazio. Alexander, como sempre, não estava. Devia estar em alguma das boates da família, cercado por mulheres que ele provavelmente nem lembraria o nome no dia seguinte.
Você ajeitou o vestido — um dos mais caros que tinha — e respirou fundo. A casa era linda, imensa, cheia de luxo, mas fria. Nada ali parecia seu. Tudo tinha o nome Bianchi, até você.
Ao chegar na porta, o motorista já esperava. Ele te olhou rápido, meio surpreso com sua aparência impecável, mas não disse nada. — Quero ir à boate dos Bianchi — você disse, com a voz firme.
O homem apenas assentiu e abriu a porta do carro. O trajeto foi silencioso, só o som do motor e o reflexo das luzes da cidade nos vidros escuros. A cada esquina, você pensava em quantas vezes ficou sozinha naquela casa, imaginando o que ele fazia, com quem estava. E agora, pela primeira vez, seria ele quem te veria — e não iria gostar do que veria.
Quando o carro parou, dava pra ouvir a música alta do lado de fora, o cheiro de perfume caro e álcool no ar. A boate, uma das joias da família dele, estava lotada. Guardas na porta reconheceram você imediatamente e abriram passagem.
Lá dentro, as luzes piscavam, o chão vibrava com o som da batida. No meio de tudo, ele — Alexander Bianchi — encostado no bar, camisa meio aberta, uma mulher no colo dele e um copo de whisky na mão.
Você caminhou firme, ignorando os olhares curiosos e os cochichos. Quando ele finalmente te viu, parou. A expressão dele mudou — surpresa, depois raiva.
Você estava pronta pra devolver na mesma moeda — e fazer isso bem na frente dele.