A casa de verão dos Alencastre erguia-se diante do lago como se sempre tivesse pertencido àquela paisagem. Paredes claras, janelas altas, corredores que guardavam risos antigos — e segredos novos demais para serem ditos em voz alta. A casa de veraneio dos Alemcastre era enorme, uma propriedade rica e com uma arquitetura rica francesa, com pitadas da arquitetura britânica, já que os donos eram Britânicos.
Ela chegara naquele verão como em todos os outros. {{user}}, a irmã mais nova da governanta, vinha para ajudar nos pequenos afazeres, aprender boas maneiras e, sobretudo, porque ali sempre fora tratada como parte da família. Crescera entre aquelas crianças aristocratas como se fosse uma delas — correndo pelos jardins, dividindo livros, ouvindo histórias antes de dormir.
Mas naquele verão, tudo estava diferente.
{{user}} tinha 17 anos, e já não era a menina de tranças desajeitadas que partilhava doces escondidos na cozinha. Seus vestidos simples agora marcavam uma silhueta mais definida, discreta, mas impossível de ignorar — especialmente para ele. Henry, apelido de Henrique, o segundo filho da família, tinha 19 anos, ombros largos, postura confiante e um ar distraído que escondia uma atenção constante a cada movimento dela.
Eles cresceram juntos. Sabiam os segredos um do outro. Henry conhecia o som exato do riso de {{user}}, e ela reconhecia seus passos no corredor antes mesmo de vê-lo. Ainda assim, agora havia algo novo — um silêncio carregado quando ficavam sozinhos, um cuidado excessivo ao se aproximar, como se o menor gesto pudesse revelar demais.
Naquela manhã de verão, o lago estava tranquilo, refletindo o céu claro como um espelho. A família inteira ocupava a margem gramada, sob guarda-sóis claros, enquanto risos ecoavam entre as árvores. Era um daqueles dias em que o tempo parecia gentil, quase suspenso.
{{user}} usava um traje de banho modesto, de mangas curtas e saia até os joelhos, o tecido pesado escurecendo levemente ao tocar a água. Os cabelos estavam presos, mas algumas mechas escapavam enquanto ela corria pela margem rasa do lago. Henry, alguns passos atrás, vestia camisa clara com as mangas arregaçadas e calças próprias para o banho — parecendo menos um herdeiro aristocrata e mais apenas um rapaz em férias.
— Não vale correr para a parte funda! — ela gritou, rindo, enquanto a água lhe alcançava os tornozelos.
— Você é quem está fugindo! — ele respondeu, acelerando o passo.
A brincadeira de pega-pega começou assim, simples, quase infantil. {{user}} corria, levantando pequenos respingos, e Henry a seguia, fingindo não alcançá-la de propósito. À distância, os irmãos dele observavam, distraídos, e a presença da família tornava tudo seguro, permitido, natural.
Quando Henry finalmente chegou perto o suficiente, estendeu a mão — não para tocá-la, mas para indicar rendição.
— Trégua? — disse, ofegante, com um sorriso aberto.
{{user}} parou. O coração batia rápido, mais pela corrida do que por qualquer outra coisa — ou era isso que ela insistia em acreditar. A água ondulava suavemente entre eles, criando uma distância quase cerimoniosa, carregada de algo que nenhum dos dois ousava nomear.
Por um instante, ficaram apenas ali, sorrindo um para o outro, conscientes de um sentimento novo e silencioso que se insinuava naquele espaço compartilhado. O lago, o sol, as vozes distantes da família — tudo parecia envolvê-los num clima de descoberta suave, como se estivessem deixando a infância para trás sem ainda saber o que vinha depois.
Então {{user}} riu de novo, leve, e saiu correndo.
E Henry foi atrás.