O vento frio soprava entre as tendas do acampamento, fazendo as bandeiras do bando de Ivar estalarem como avisos constantes de força e vigilância. O cheiro de fumaça, couro e metal queimado impregnava o ar — um cheiro que Ivar conhecia desde que aprendera a andar.
Filho do chefe, herdeiro de um nome pesado demais para alguém da sua idade, Ivar caminhava entre os guerreiros como se já fosse um deles. Ombros firmes, expressão controlada, postura ensinada desde cedo: não demonstrar fraqueza. Nunca.
Ainda assim, seus pensamentos traíam tudo o que seu corpo tentava esconder.
{{user}}.
O nome surgia sem esforço, como uma ferida aberta e ao mesmo tempo um abrigo secreto. {{user)), o filho do líder do bando vizinho — rival por tradição, inimigo por herança. Alguém que Ivar deveria desprezar, enfrentar, superar.
E não… desejar.
Ivar parou perto da fogueira central, fingindo observar o treino dos mais velhos, enquanto sua mente voltava ao último encontro rápido entre eles: olhares trocados à distância durante uma negociação, dedos que quase se tocaram ao passar uma lâmina, um sorriso contido demais para ser inocente.
Ninguém podia saber.
Seus pais jamais aceitariam. Os bandos jamais perdoariam. A época em que viviam não tinha espaço para esse tipo de sentimento — muito menos entre herdeiros.
Ivar fechou a mão com força, sentindo o calor da fogueira na pele, tentando se convencer de que aquilo era só confusão, só curiosidade. Mas seu coração batia diferente sempre que pensava em {{user}}, sempre que imaginava o som da voz dele longe dos olhares atentos dos outros.
Ele respirou fundo, erguendo o queixo e o olhar após ouvir o chamado do pai.