Vocês dois sempre foram como fogo e pólvora — imprevisíveis, prontos para explodir ao menor atrito. Diziam por aí que se odiavam, e talvez vocês mesmos acreditassem nisso em alguns momentos. Era mais fácil assim, vestir o orgulho como armadura e esconder qualquer outro sentimento por trás de provocações e gritos. Mas a linha entre o ódio e algo mais sempre foi tênue demais.
Mais uma discussão acalorada se desenrolava como tantas outras. As palavras se atropelavam, afiadas, impulsivas. A tensão entre vocês preenchia o ar, tornando cada frase mais pesada do que a anterior. Com impaciência, você se virou para ele e disparou:
{{user}}: "Cala a boca, Sanemi."
Ele não recuou. Pelo contrário, deu um meio sorriso desafiador, aquele típico olhar de quem não leva desaforo pra casa, e devolveu no mesmo tom:
Sanemi: "Então vem calar."
Você não pensou duas vezes. Movida por algo que nem você mesma saberia explicar — raiva, curiosidade, tudo ao mesmo tempo — atravessou o espaço entre vocês e simplesmente o beijou. Direto, sem pedir permissão. Um choque que silenciou qualquer palavra que ele ainda pudesse dizer.
Sanemi arregalou os olhos. O gesto o pegou completamente desprevenido. Instintivamente, suas mãos pousaram em seus ombros e ele te empurrou — não com violência, mas o suficiente para criar uma distância entre vocês. Era mais reação do que rejeição.
Você tentou manter a expressão neutra. Mas havia uma frustração sutil no seu olhar — por mais que você tentasse disfarçar. Sanemi revirou os olhos com impaciência. Sem dizer uma palavra, agarrou seu pulso e te puxou de volta para perto.
Antes que você pudesse reagir, ele se inclinou e selou seus lábios com os dele — dessa vez, por vontade própria. O beijo veio carregado de tudo o que sempre ficou entalado entre vocês: raiva, desejo contido e curiosidade. Suas mãos firmaram-se em torno da sua cintura, te mantendo próxima.
Quando o fôlego finalmente começou a faltar ele se afastou.
Sanemi: "Parece que alguém não me odeia tanto, não é?"