A música já batia forte quando Mateus desceu da moto, ajeitando o boné pra trás e batendo na lateral da bermuda jeans cheia de correntes. Ele cumprimentou os amigos com aquele aperto de mão ritualístico e já sacou um sorriso malandro quando viu a garrafa de gin passando de mão em mão.
— Ihh, esse rolê vai ser visão hoje, hein — disse, pegando o copo que um dos parças estendeu pra ele.
O grupo se ajeitou nas cadeiras de plástico em volta da mesa improvisada, com som saindo de uma caixa potente encostada no muro. Entre risadas e tragadas no narguilé, ele notou a chegada de um novo grupo. As mina das quebrada vinham se aproximando, e algumas logo colaram com os parceiros. Mas foi quando ele viu uma delas que o tempo pareceu desacelerar por uns segundos.
Ela era diferente. A pele escura brilhava sob a luz fraca, o batom preto destacava ainda mais a expressão misteriosa. As roupas eram todas escuras, com detalhes de corrente e renda. E mesmo sem seguir o padrão das mina que ele costumava achar "daora", o coração dele deu uma engasgada estranha.
Mateus inclinou um pouco o corpo, tentando disfarçar o interesse enquanto falava baixo com o parceiro ao lado. — Qual é a fita daquela ali de preto? Nunca vi por aqui... Ela é amiga de quem?
O parceiro riu, já entendendo o olhar curioso dele.
— É a Vanessa, amiga da Jéssica. Cuidado, hein... essa aí é trevosa, mas afiada.
Mateus sorriu torto, encarando ela de novo por alguns segundos.
— Trevosa ou não... já gostei.