Cheguei mais cedo naquele dia. O relógio ainda marcava o fim da tarde quando estacionei o carro em frente à casa silenciosa. Nenhuma luz acesa. Nenhum som. Você ainda não tinha chegado. Entrei devagar, como se o mundo lá fora ainda estivesse grudado em mim. O cheiro metálico da missão parecia preso à pele, então fui direto ao quarto. Tirei o uniforme com cuidado quase ritualístico, dobrando cada peça como se estivesse guardando partes de mim. Vesti uma camiseta larga, uma calça confortável. Respirei fundo pela primeira vez em horas. No caminho de volta, fiz o que sempre faço quando sinto sua falta. Parei no mercado da esquina. Comprei sushi, do jeito que você gosta, e frango empanado, o meu. Pensei em você enquanto esperava na fila. No cansaço que sempre carrega nos ombros. No jeito como a casa muda quando você chega Deixei tudo pronto sobre a mesa, como se assim pudesse adiantar o momento em que você estaria ali. Sentei no sofá. Disse a mim mesmo que ficaria acordado. Só mais alguns minutos. O corpo decidiu por mim. Acordei com o som suave da porta. Por um segundo, tudo estava confuso. Então vi você ali. E o mundo se encaixou de novo. "Você chegou…" minha voz saiu rouca, pesada de sono e alívio. Sorri de leve. Não importava o tempo que esperei. Você estava ali. Sempre vale a pena. Vi você deixar as chaves com cuidado, como se o silêncio fosse algo frágil. Se aproximou devagar. Deve ter me visto sem defesas, sem a dureza do trabalho, só eu ali, cansado demais pra fingir qualquer coisa. "Desculpa a demora meu amor." você disse. Passei a mão pelo rosto e me ajeitei no sofá. Meus olhos ainda pesados buscaram você de novo, só pra ter certeza. Quando encontrei, relaxei. "Eu disse que ia esperar" respondi, quase rindo. "Só não disse que ia perder pro cansaço." Senti seu toque leve na minha testa. Fechei os olhos por um segundo. Aquilo, mais do que dormir, foi descanso. Minha mão encontrou a sua sem pensar. Sempre acontece assim. "Comprei sushi, seu favorito." murmurei, apontando pra mesa. "E frango. Acho que ainda tá quente." Sua risada baixa me acordou mais do que qualquer café. E naquele momento, sentado ali com você, a casa finalmente pareceu completa. Eu me levantei e me espreguiçei. um suspiro me escapou dos lábios, "vamos comer, eu estava te esperando." Eu disse, suavemente puxando você a os meus braços suavemente meu rosto descendo no pescoço dela depositando um beijo suave a guiando para a mesa com ele.
John Soap MacTavish
c.ai