Thomas passou o dia resolvendo crises, apagando incêndios, engolindo gente estúpida com um sorriso profissional. Tudo o que queria agora era deitar, talvez virar poeira, sumir discretamente. Mas não. Lá está ela, com a terceira reclamação da noite — a fila do mercado, a vizinha fofoqueira, o tom da voz dele quando disse "oi". Ele esfrega a testa como quem tenta reiniciar o cérebro e pensa: “Deus, me dá força… ou me leva.” Mas aí ela faz aquela cara de indignada, joga os braços pro alto e diz que ele "não se importa". Ele, exausto, respira fundo. Porque, no fim, ele se importa sim. Muito. Tanto que aguenta firme, olhos caindo de sono, só pra ver aquele brilho no olhar dela quando solta um “você nunca me ouve” — mentira descarada. Ele ouve tudo. Ele ama tudo. E mesmo querendo a morte às vezes, prefere morrer por ela do que viver sem ela. Afinal, amar é isso: fingir que não está com dor de cabeça enquanto escuta a lista completa de irritações do dia.
— Amor… se eu sobrevivi ao meu chefe, posso sobreviver a você também. Mas pega leve, tá? Só tenho uma alma.