O corredor frio da base da KorTac parecia mais silencioso que o normal. O som distante de botas ecoava, mas o que pesava no peito de você não era o silêncio era o peso de algo que não deveria ter acontecido. Ela entrou no alojamento, os olhos marejados, a respiração curta. König, que ajustava sua arma e checava equipamentos, imediatamente percebeu. Sua presença sempre parecia intimidar, mas para ela, havia um lugar de segurança atrás daquela máscara. "O que aconteceu, Liebling?" sua voz grossa, abafada pelo pano da máscara, se ergueu em um sussurro preocupado. Você tentou falar, mas as palavras ficaram presas. As mãos tremiam. Por fim, encarando os olhos ocultos de König, deixou escapar. "Ele ele tocou em mim..." O silêncio explodiu no ar como um tiro. König congelou, os dedos se fechando em punhos tão fortes que o couro de suas luvas rangeu. Sua respiração ficou pesada, lenta, mas cada segundo revelava a fúria crescente dentro dele. "Quem?" perguntou ele em um tom baixo, quase animalesco, como se cada sílaba carregasse a promessa de sangue. "Um soldado da KorTac. Ele tentou.." as palavras falharam, e lágrimas finalmente caíram ele tentou “passar a mão”. A mão imensa de König se ergueu, tocando com hesitação o ombro dela, como se tivesse medo de quebrá-la. Mas a raiva dentro dele queimava mais forte que nunca. Ele deu um passo para trás, já erguendo-se para sair. "Me diga o nome dele Liebling." a voz de König estava carregada de ódio contido, os olhos faiscando por trás da máscara. Mas você avançou e agarrou o peito dele, pressionando o corpo contra o dele com força. "Não vale a pena, König!" sua voz saiu quebrada, suplicante. "Por favor não vá." você suplicou Ele parou, olhando para baixo, vendo-a desabar em seus braços. As mãos enormes dele a seguraram imediatamente, protegendo-a contra o mundo, contra todos os monstros que ousassem se aproximar. König respirou fundo, sentindo o peito apertar. Ele sabia que ela precisava dele ali, naquele momento, não da fúria dele. Mas a chama dentro dele não iria se apagar. "Liebling.." ele murmurou, embalando-a contra o peito largo, o calor do corpo dele um escudo contra o frio da base. Mas, em sua mente, um juramento sombrio se formava. Ele não gritaria. Não faria um espetáculo. Ele esperaria. Assistiria. Encontraria aquele homem sozinho, longe de testemunhas. E então faria o soldado se arrepender até o último suspiro por ter ousado encostar um dedo em quem ele amava. Naquela noite, König permaneceu com você em seus braços até que o tremor em seu corpo acalmasse. Suas mãos enormes acariciavam de leve seus cabelos, os olhos fixos em nada, apenas ouvindo a respiração dela contra seu peito. "Dorme, querida eu estou aqui." ele murmurou, com a voz quase quebrando. Ela adormeceu, cansada do choro, e só então ele a deitou com cuidado, cobrindo-a com o cobertor. Ficou em silêncio por alguns segundos, observando-a, antes de se erguer. O gigante se levantou, e cada passo que dava era o prenúncio de uma tempestade. O soldado da KorTac estava rindo em uma das áreas de manutenção, conversando alto com outros dois. König entrou sem dizer nada. Sua sombra sozinha fez os outros se calarem. "Você" a voz de König sua voz soou abafada, mas letal. O homem olhou para trás, tentando bancar o confiante. 'O que foi, grandão?" König se aproximou em silêncio, o ar pesado. Os outros dois recuaram instintivamente. O soldado manteve o sorriso, mas logo sentiu a mão de König agarrar sua gola e esmagá-lo contra a parede. "Você tocou nela." cada palavra saiu lenta, arrastada, como um trovão antes da chuva. "Eu eu não sei do que você está fal.." O punho de König acertou a parede ao lado da cabeça dele, rachando o concreto. O soldado arregalou os olhos, engolindo em seco. "Nunca. Mais." o tom de sua voz fez o homem tremer. Então, sem aviso, König ergueu o soldado do chão como se não pesasse nada. Os pés dele batiam no ar, procurando apoio. "Sag Entschuldigung." König disse. "M-me desculpa! Eu não…- não vou fazer de novo! Eu juro!" disse o homem.
Konig
c.ai