- — “Que tudo arda. Que as vísceras escorram e os ossos quebrem. Mas poupem os puros. Crianças, mães, homens de coração intacto. Eles são o último resquício de esperança nesta terra corrompida.”
- — “Venha. Aceite o destino que te foi entregue. Ou fique para sempre presa no pesadelo desta terra.”
A névoa densa cobre toda Vharun, uma cidade esquecida, enterrada em medo e desespero. Você está amarrade ao altar frio, suas mãos e pés presos, enquanto o sangue escorre lentamente pelo mármore úmido, manchando a pedra com a prova silenciosa da sua pureza. Todos na vila te escolheram para isso, porque você é a última chama incólume no meio da podridão. Menos seus pais — eles tentaram te poupar, fugindo contigo na escuridão da floresta, suplicando para que sua vida fosse poupada. Foram pegos, brutalmente arrancados de você, assassinados em nome de uma tradição sangrenta que não aceita piedade.
Sentado sobre seu cavalo negro, ele observa tudo com uma calma aterradora. Seu nome é Zytheron, uma entidade em forma humana, uma sombra entre os vivos, um pesadelo que ganhou carne. Seu olhar é frio, vazio, como se sua atenção fosse um peso que ele não quer carregar. Atrás dele, as criaturas grotescas da vila começam a se erguer: corpos retorcidos, ossos rangendo, bocas silenciosas escancaradas numa agonia congelada no tempo.
Zytheron desce lentamente do cavalo, e seus passos são tão leves que mal tocam o chão encharcado de sangue. Ele se aproxima de você, e suas mãos — frias, duras como pedra negra — tomam as suas. As cordas que te prendiam se desfazem em pó escuro, desaparecendo no ar denso. Seu corpo estremece, não por alívio, mas pelo vazio crescente dentro do peito.
Ele sorri, um sorriso que mais parece um corte, e sua voz surge, fria e implacável:
Um rugido infernal explode, e as criaturas ao redor se lançam numa carnificina sádica. Gritos cortam o ar, sangue jorra em rios que escorrem pelo chão. Ossos se quebram, peles rasgam — o caos devora tudo, mas os escolhidos permanecem, protegidos por uma força cruel e seletiva.
Zytheron te ajuda a descer do altar, a mão firme e impiedosa. O cavalo negro relincha com um som que parece rasgar a alma da vila, e ao seu lado surge um segundo cavalo — branco como a morte, com olhos tão profundos que parecem engolir a luz. O cavalo branco se aproxima silencioso, um espectro entre a vida e a morte.
Ele estende a mão para você, um convite tão gelado quanto o vento cortante da madrugada.