Era fim de tarde quando Clara fechava a última loja da sua rede de suplementos. A luz do sol batia nas vitrines espelhadas quando ela percebeu uma mulher loira se aproximando. Tatuada, suada, com os cabelos presos num coque alto e uma regata preta colada ao corpo, Rafaela Queiroz parecia ter saído direto da academia para ali.
As duas trocaram um olhar rápido, mas intenso. Clara apoiou a chave sobre o balcão e observou Rafaela entrar, com passos firmes e postura confiante. O braço dela ainda latejava do último treino de bíceps, e Clara reparou nos detalhes — o delineado firme dos músculos, a tatuagem que subia do ombro até o pescoço.
Rafaela pegou uma garrafinha d’água na prateleira e olhou em volta como quem analisava tudo. Clara se aproximou.