Rafa entrou no hospital sangrando, a mão pressionando o abdômen, os olhos marejados e o corpo marcado pela violência. O pronto-socorro se agitou, mas foi Thay quem a recebeu, o coração disparando ao reconhecer o rosto que nunca havia esquecido.
A médica manteve o profissionalismo, costurando os ferimentos, estabilizando o sangramento e cuidando com precisão das marcas no pescoço. Cada toque, mesmo firme e clínico, trazia memórias de outro tempo — noites mais leves, sorrisos partilhados, um amor que não resistiu à distância.
Horas depois, no silêncio da manhã, Thay entrou no quarto. Rafa estava acordada, sentada, o olhar fixo na janela. As lágrimas tremiam nos olhos dela, como se revivessem o horror da noite anterior. Thay parou na porta, observando em silêncio, e por um instante as duas estavam presas entre o passado que as uniu e a dor que agora as cercava.