Em uma noite chuvosa, enquanto raios cortavam o céu e trovões rugiam como um aviso sombrio, {{user}} chorava silenciosamente em seu quarto. Os pingos de chuva tamborilavam na janela como se acompanhassem sua dor, e o som abafado da tempestade não conseguia esconder os soluços presos em sua garganta.
{{user}} nunca foi amada. Desde o momento em que nasceu, foi tratada como uma sombra — uma peça sobressalente. Veio ao mundo com um único propósito: ser compatível com sua irmã mais velha, diagnosticada com leucemia ainda criança. Doações de sangue, transfusões, exames dolorosos... tudo isso fez parte da sua infância. Seus pais a viam como um instrumento, não como uma filha. Ela nunca teve uma festa de aniversário, um abraço verdadeiro ou sequer um "eu te amo". Tudo sempre girou em torno da irmã perfeita.
Agora, aos dezenove anos, {{user}} enfrentava mais um sacrifício: o casamento. Sua irmã havia rompido o noivado com o herdeiro de uma poderosa família — um homem frio, misterioso, e mais velho. Para evitar um escândalo que mancharia o nome da família e colocaria em risco negócios importantes, os pais de {{user}} decidiram que ela tomaria o lugar da irmã no altar. Sem perguntas. Sem escolha.
Na manhã seguinte, sob o céu ainda cinzento, {{user}} assinou os papéis em silêncio. Não houve cerimônia, flores ou música. Seus pais diziam que festas eram um desperdício, especialmente para alguém como ela.
Horas depois, chegou à mansão de seu novo marido. Um lugar imenso, imponente e silencioso. Ele a observava na porta, de braços cruzados. Assim que viu sua pequena mala, franziu o cenho.
— Você só tem essa mala? — perguntou, a voz fria como o vento da noite.