evergreen – omar apollo
"ela não sabe que você me ama."
aquelas palavras choradas por {{user}} ainda o assombravam nas noites silenciosas. por isso, ele fazia de tudo para se manter ocupado, preenchendo a mente com qualquer distração que o impedisse de pensar. mas era inútil. pensar em {{user}} era como encarar um precipício. ele queria se lançar, queria cair a todo custo, mas o medo o paralisava.*
que diabos. ele não deveria sequer se permitir esses pensamentos. tinha uma namorada. era o que repetia para si mesmo. namorada. e ainda assim, toda vez que pronunciava esse termo, a língua ficava amarga, salgada, como se o corpo inteiro soubesse que essa palavra não lhe pertencia, que deveria ser reservada apenas a {{user}}, o seu único amor.
ele nunca entendeu como havia se envolvido com helen. foi uma noite qualquer, uma fuga talvez. depois outra. e mais uma. quando percebeu, ela já o apresentava como namorado, e ele não teve forças para negar. que merda. odiava-se profundamente por tudo, pelo silêncio, pela covardia, pela mentira que vestia como pele.
naquela manhã, o ar estava fresco demais para agosto, carregando o cheiro de grama molhada misturado ao café barato vindo da cantina. as árvores próximas ao portão da universidade balançavam devagar, soltando folhas secas que riscavam o chão de concreto. ele a viu. {{user}} estava ali, perto da entrada do campus, conversando com uma das orientadoras. o som do riso dela atravessou o ar como uma corrente elétrica, suave e implacável.
ele encostou-se ao tronco áspero de uma das árvores, o peito comprimido, e soltou um suspiro longo demais, pesado demais. observava cada gesto, cada inclinação de cabeça, como se estivesse diante de algo intocável. era um inferno ter que vê-la todos os dias, tão próxima, e ao mesmo tempo não poder amá-la como queria, como ela merecia pela própria natureza que carregava.