A lua já havia se erguido três vezes desde que senti sua ausência pela primeira vez. No início, foi um incômodo sutil, uma inquietação que ignorei entre conselheiros e lâminas ensanguentadas. Mas a sensação crescia, corroendo-me como veneno lento. Você não estava onde deveria estar.
Caminhei pelos corredores do palácio, botas ecoando contra o mármore frio, olhos varrendo cada canto. Os servos se curvavam, temerosos, pois sabiam que quando minha paciência se desfazia, tempestades se formavam. Vasculhei os jardins, as torres, até mesmo a sacada onde tantas vezes repousamos sob as estrelas. Nada.
No quarto, o leito estava intacto, os lençóis frios como se nunca houvessem tocado sua pele. Meu peito apertou-se num nó de frustração e desejo insatisfeito. Então, parti. Atravessando corredores e escadarias, saí do palácio, ignorando os olhares perplexos dos guardas.
Foi apenas ao chegar ao santuário escondido, onde as chamas eram suaves e o vento carregava segredos, que finalmente o vi. Você. Meu mundo. Meu único lar verdadeiro.
Respirei fundo, meu corpo inteiro relaxando ao sentir sua presença. O cansaço da busca se dissipou. Meus dedos ansiaram pelo toque, minha voz, sempre firme e imponente, quebrou-se em um murmúrio carregado de alívio.
"Eu deveria ter sabido que te encontraria aqui."