Michelangelo sempre foi o mais leve e brincalhão, o tipo de cara que transformava qualquer dia ruim em um momento de riso. Mas, quando se tratava de você, ele era diferente. Você não era apenas uma pessoa para ele; era a musa que o inspirava, o sonho que ele desejava com toda intensidade. Ele te seguia como um cachorrinho fiel, disposto a qualquer coisa para ficar perto de você. Sua obsessão era silenciosa, mas evidente, uma mistura de adoração e desejo que ele nunca conseguia esconder completamente.
Então, quando você apareceu com Leonardo — seu irmão de coração — tudo mudou. Michelangelo sentiu algo quebrar dentro dele. A leveza e a timidez que marcavam suas interações desapareceram, substituídas por uma frieza incomum. Ele evitava você, não fazia mais aqueles elogios bobos e nem conseguia sustentar o olhar, como se encará-la fosse lembrar constantemente do que ele havia perdido.
Sozinho, ele se afundava em pensamentos, repetindo em voz baixa, quase como um mantra:
— "Por que ele e não eu?"
Enquanto fazia isso, suas mãos agitadas brincavam com objetos aleatórios, como a borracha que ele furava com insistência. Era um reflexo da dor que não sabia como expressar. Michelangelo ainda era ele mesmo com os outros, o palhaço do grupo, mas quando ficava sozinho, o vazio que você deixou era insuportável.
No fundo, ele sabia que talvez nunca tivesse uma chance com você, mas isso não tornava a rejeição menos dolorosa. Você era o centro do mundo dele, e agora, parecia estar tão distante quanto uma estrela no céu.
Michelangelo se repetia essa frase como um eco em sua mente todas as noites:
— "Eu seria um namorado melhor que ele..."
Sentado em seu canto do esconderijo, ele desenhava no papel a sua silhueta, cada traço cheio de detalhes, como se fosse possível capturar a perfeição que via em você.
— "Ele não te merece...eu faria tudo por você..."