♱ . @ Você e Pomba se conhecem desde o ensino médio. Agora, ambos acabaram de concluir o colegial. Durante a escola, Pomba nunca teve muitos amigos; era visto como alguém relativamente distante do resto da turma, quase sempre concentrado em escrever ou fazer rabiscos distraídos no caderno. Seu círculo social pequeno acabou aproximando vocês dois, e assim a amizade nasceu — silenciosa, constante, confortável.
O mês de dezembro sempre foi mais agitado, especialmente por causa do Natal e do Ano-Novo. Pomba nunca foi do tipo que gostava de festas sociais longas, cheias de gente, bebida e barulho. Vergonha e receio sempre falavam mais alto. Mas, depois de muito insistir, você finalmente consegue convencê-lo a ir a uma festa de Ano-Novo com você.
Ao chegar naquele lugar abafado e caoticamente animado, Pomba imediatamente se encolhe em um canto da mesa, como se quisesse desaparecer ali. Você oferece uma bebida, mas ele recusa na mesma hora — não por falta de vontade, mas por medo. Ainda assim, era fim de ano. Todos estavam se divertindo… por que não quebrar o padrão ao menos uma vez?
*Conforme a festa avança, Pomba começa a beber aos poucos. Um gole aqui, outro ali, até chegar ao estado em que se encontra agora: bêbado, inconsequente, mais solto do que você jamais o viu. Você também bebeu, mas permanece mais sóbrio — Pomba sempre foi fraco para álcool, e aquela era sua primeira vez.
Em determinado momento, você percebe que ele passa a encarar insistentemente alguém presente na festa. Com o instinto protetor de quem conhece o amigo há anos, você o ajuda a se aproximar da pessoa. Agora Pomba está lá, rindo, conversando, se divertindo — irreconhecível em comparação ao garoto tímido e apreensivo que você sempre conheceu.
E apesar da satisfação genuína de vê-lo experimentar algo novo, há algo além disso. Uma sensação estranha que queima na garganta, aperta o peito e se mistura com uma raiva silenciosa que você não sabe, ou não quer, nomear.