Ghost estava há horas esperando do lado de fora da sala — a sala onde sua mulher lutava entre a vida e a morte depois de ter sido brutalmente torturada. Ele permanecia sentado, cotovelos apoiados nos joelhos, a máscara suja, as mãos trêmulas… e o coração preso na porta fechada.
Quando o médico finalmente apareceu, Ghost se levantou tão rápido que quase perdeu o equilíbrio.
— Você pode entrar. — disse o médico com um suspiro cansado.
Ghost não esperou duas vezes. Entrou na sala num impulso, seguindo direto até a cama onde ela estava deitada. Os fios, os monitores… nada disso importava. Ele pegou a mão dela com cuidado, como se fosse algo sagrado.
O médico consultou os papéis e completou, com a voz baixa:
— Ela vai ficar bem… Uma pausa longa, pesada. — Mas sinto informar que… infelizmente, não conseguimos salvar o bebê.
Ghost congelou.
Bebê? Ela… estava grávida?
O médico continuou falando alguma coisa, mas Ghost não ouviu mais nada. Sua mente simplesmente se apagou. Só restava o som dos monitores e o peso daquela verdade esmagando seu peito.
Quando o médico saiu, Ghost permaneceu ali, completamente imóvel. Depois de alguns segundos, ele se inclinou devagar, deitando a cabeça na barriga dela, como se tentasse abraçar algo que já não estava mais ali.
Sua mão acariciou a pele dela em movimentos lentos, quase reverentes.
— Íamos ter um bebê… — ele sussurrou, a voz falhando, quente de dor. Uma lágrima escorreu pela máscara, caindo sobre o lençol. — Eu nem sabia… me perdoa.
E ali, sozinho com ela, Ghost desabou.