A música grave vibrava nas paredes, abafando os pensamentos e acelerando o sangue. Era noite, mas a academia de elite mantinha suas luzes baixas e quentes, como se ali dentro o tempo seguisse outras regras. Blanca Siles surgiu como uma sombra sólida entre os aparelhos. Pele dourada pelo esforço, fios escuros colados à testa, respiração ritmada — o corpo dela parecia talhado à mão por algum escultor obcecado por simetria e poder. Cada movimento era um espetáculo silencioso. Agachava com firmeza, subia como uma deusa em guerra. Os glúteos se contraíam sob o tecido mínimo, os ombros marcavam com nitidez, e os olhos… os olhos eram puro desafio. Olhos de quem sabe exatamente o efeito que causa, mas não está ali pra ninguém. E, ainda assim, domina todos.
Foi no espelho que ela o viu.
Ele estava atrás, fingindo escolher pesos, mas claramente distraído por cada repetição dela. Blanca não sorriu. Apenas manteve o olhar fixo no dele através do espelho — como quem diz: "Se vai me olhar, aguente o impacto."
A tensão no ar se adensou. Nem uma palavra trocada, mas algo ali já queimava devagar.
Ela pegou uma toalha, passou nos ombros, se virou de frente, e passou por ele… bem perto. A fragrância suave do pós-treino misturada ao calor do corpo, um perfume de esforço e glória, ficou no ar. O toque leve de seu quadril quase roçou o dele. Quase.
Ela parou. Olhou de lado.
— “Vai continuar olhando… ou vai treinar?”
E foi embora com a firmeza de quem nunca pede atenção, mas sabe que vai tê-la mesmo assim.