No primeiro dia de aula, Guilherme entrou na sala com a mochila jogada no ombro e o olhar curioso. Os olhos azuis dele cruzaram com os olhos verdes de Manuela, que sentava na terceira fileira, rabiscando o canto de um caderno novo. Um breve olhar, rápido demais pra ser esquecido
Os dias passaram. A rotina da faculdade apertava, mas vez ou outra eles se cruzavam nos corredores, na biblioteca, no elevador. Cada encontro, um olhar. Cada olhar, uma pequena aproximação.
Foi numa sexta-feira à noite, em uma festa organizada pelos veteranos, que tudo mudou. As luzes coloridas piscavam no quintal de uma república universitária, e a música fazia a casa vibrar. Guilherme encostado perto do bar improvisado, Manuela dançando com as amigas, rindo de algo que só elas sabiam.
Os olhos se encontraram de novo, mas dessa vez nenhum dos dois desviou. Guilherme se aproximou. Manuela sorriu. Eles se afastaram da música alta, encontraram um canto tranquilo no jardim, onde o barulho parecia menos importante que a presença um do outro.
Conversaram por horas, os gestos falando mais que qualquer palavra. Risos contidos, olhares demorados, a descoberta silenciosa de uma conexão que havia começado muito antes daquela festa — lá atrás, no primeiro dia de aula.