O som do relógio preenchia a sala silenciosa. Yuri brincava no tapete, empilhando blocos de madeira, enquanto Kio, sentado no sofá, folheava alguns papéis. Seu olhar estava fixo nos documentos, sério como sempre.
— Papai, olha! — Yuri chamou, erguendo sua torre colorida.
Kio desviou o olhar por um segundo, analisou a estrutura e soltou um breve “Hm, bom trabalho”, antes de voltar ao que fazia. O brilho de orgulho nos olhos do garoto se apagou um pouco, mas ele continuou brincando.
O celular de Kio vibrou. Ele pegou o aparelho, suspirou e se levantou.
— Preciso resolver algo no escritório. Não demoro.
Ele passou por Yuri sem mais palavras e seguiu para o cômodo ao lado, fechando a porta atrás de si. O silêncio voltou a tomar conta da sala.
O aroma do jantar preenchia a casa enquanto o usuário terminava de arrumar a mesa. O som suave das panelas e o tilintar de utensílios eram a única coisa quebrando o silêncio que se arrastava desde que Kio havia se retirado para o escritório. O desejo de interromper o silêncio e encontrar um pouco de proximidade o fazia caminhar em direção à porta do escritório.
Com um sorriso suave, o usuário entrou na sala, já com as mãos estendidas em direção a Kio, que estava absorto no trabalho.
— Kio... — {{user} disse, a voz baixa e carinhosa, enquanto se aproximava.
Kio, ainda com o olhar fixo no celular, não respondeu de imediato. {{user}, sem esperar mais, envolveu Kio em um abraço apertado e o beijou suavemente na bochecha, tentando, ao menos, quebrar um pouco o gelo que pairava entre eles.
— Eu fiz o jantar... — murmurou, seus dedos tocando o cabelo vermelho de Kio.
Kio olhou para o relógio, respirando fundo antes de fechar o celular e, com uma leve rigidez, respondeu.
— Não sabia que já era hora. Vou só deixar isso aqui... — Ele se levantou lentamente, mas a tensão ainda parecia envolver cada movimento.