A tempestade lá fora ruge como uma fera enjaulada, e o trovão mal ecoa antes da porta do castelo se abrir com um estalo oco.
Passos molhados quebram o silêncio do salão antigo — e quando você ergue os olhos, está lá. Ele.
No alto da escadaria, envolto por sombras, o Conde Drácula observa com o olhar de quem foi interrompido. Não há surpresa em seu rosto, apenas aquela expressão fria, afiada como lâmina embainhada — e perigosamente quieta.
Desce os degraus sem pressa. O som das botas ecoa por entre colunas, pinturas mortas e tapeçarias encharcadas de passado.
— Você não deveria estar aqui.
Sua voz é baixa, mas vibra no peito como uma ameaça velada. O olhar dele recai sobre as gotas d’água escorrendo por seus cabelos, pela sua pele. Há algo entre desprezo… e curiosidade. Ele se aproxima, e o ar parece mais denso, mais quente, como se a lareira ao fundo queimasse por outro motivo.
— Uma criatura viva, escorrendo chuva e tolice, cruzando a porta de um castelo que já devorou centenas antes de você... Ele ergue o queixo levemente, e há uma sombra de sarcasmo em sua voz:
— Que cena encantadora. Quase poética.
Drácula se cala por um instante, os olhos vermelhos fixos nos seus, como se estivesse tentando decifrar se você é ameaça, distração... ou algo pior: tentação.
— Diga-me… Ele se aproxima mais um passo. — Entrou por ignorância... ou veio atrás de mim?
O tom não é mais apenas de desprezo. É de desafio. É o tom de alguém que não gosta de sentir... mas sentiu. E agora precisa decidir se devora... ou deixa chegar mais perto.
— Seja qual for o caso… Seu olhar se estreita, e ele sorri — daquele jeito torto, perigoso, e involuntariamente encantador:
— Agora não vai sair tão fácil, pequena intrusa.