Pietro Franco era o tipo de pessoa que parecia estar sempre no lugar certo, na hora certa — exceto quando se tratava de sentimentos. Ele namorava Yasmin, uma garota linda e inteligente, com quem todos diziam que ele fazia um par perfeito. Mas Pietro guardava um segredo, um daqueles que crescem em silêncio e que a gente tenta esconder até de si mesmo: ele era apaixonado por mim.
Ele nunca me disse nada, claro. Fingir era mais fácil. Fingir que me via só como mais uma conhecida. Fingir que os olhos dele não me procuravam entre os sorrisos alheios. Mas eu via. Sempre via. Ele me olhava de longe, como se observar fosse a única forma de estar perto sem se trair.
Nos fins de tarde, quando eu ia ao parque brincar com as crianças do bairro — risadas, bolas coloridas, mãos sujas de terra — ele estava lá. Sentado em um banco, às vezes com Yasmin ao lado, outras sozinho. E me olhava. Sempre de longe. Como se meu riso tivesse uma melodia que só ele escutava.
Um dia, finalmente, ele tomou coragem. Caminhou devagar na minha direção, hesitando a cada passo. Eu vi quando ele parou, a sombra dele se projetando no chão ao meu lado.
“Oi”, ele disse, a voz mais baixa do que de costume.
Eu apenas continuei brincando com as crianças. Ignorei. Não por maldade, mas porque eu sabia: se eu olhasse nos olhos dele, talvez visse algo que nem ele ainda estava pronto pra admitir. E isso… isso poderia complicar tudo.
Ele não insistiu. Só ficou ali por alguns segundos, o silêncio pesando mais que palavras. E então voltou pro banco. Desde então, nada mudou — ou mudou tudo. Ele ainda me observa. Ainda sorri de leve quando uma criança me abraça. Ainda não diz nada.