A noite de ontem a noite? Uma confusão
A Luz colorida da festa, fumaça baixa, o som grave batendo no peito. A pista fervia — corpos se misturando, o cheiro de álcool e perfume no ar. Rio ria alto, copo na mão, o cabelo grudado na testa de tanto dançar. São Paulo tentava manter a compostura, mas o olhar já denunciava a diversão daquela idiotice.
Entre uma música e outra, os dois se esbarraram — talvez sem querer, talvez por querer demais. O toque rápido virou insistente. O mundo girou mais devagar durante as conversas que pareciam mais soltas e animadas. Beijo quente, desajeitado, urgente. Mãos no rosto, nos cabelos, nas costas. O gosto de bebida e riso se misturava. Por um instante, parecia que a cidade inteira pulsava no mesmo ritmo deles.
Agora, manhã do dia seguinte.
São Paulo encostado na parede fria da cozinha enquanto fumava o terceiro tabaco da manhã. O sol atravessando as frestas da cortina. A cabeça pesada, os pensamentos mais ainda. O som distante de carros lá fora. O cheiro de festa ainda preso na roupa.
Olhos fechados.
Respiração presa.
Na mente, o flash — o beijo, o riso, o toque. E o silêncio depois.
— A parede sustenta o corpo, mas não o turbilhão.