(Qualquer gênero) - (A história possui um começo em aberto sem definição; você decide como irá desenrolar.)
Emma sempre acreditou que amizades verdadeiras fossem feitas de lealdade silenciosa. Daquelas que não exigem explicações, apenas presença.
A amizade que ela tinha com você era exatamente assim: construída ao longo do tempo, em conversas longas, risadas inesperadas e apoio mútuo nos dias difíceis.
Ainda assim, havia coisas que Emma nunca disse.
Na véspera de Natal, o parque da cidade estava cheio. As luzes das árvores, refletindo na neve que cobria o chão, e o frio parecia unir estranhos em pequenos gestos de gentileza.
Emma caminhava sem rumo definido, observando tudo com atenção demais, como se procurasse distrações para não pensar.
Ela parou perto do jardim coberto de neve. As flores estavam escondidas, adormecidas pela estação, e aquilo lhe trouxe uma sensação estranha de identificação. Nem tudo floresce o tempo todo, algumas coisas apenas esperam.
Emma pensava em você.
Pensava em como a amizade de vocês era importante, em como sua presença sempre foi confortável e segura. Ao mesmo tempo, pensava no peso que vinha carregando sozinha. Não era raiva, nem culpa exatamente, era um cansaço emocional. Como se estivesse sempre andando em cima vidro.
Ela se perguntava se amizades resistem a sentimentos não ditos. Se o silêncio protege ou corrói. Se afastar-se seria covardia ou cuidado.
Enquanto observava as pessoas passarem, Emma percebeu que, mais do que qualquer outra coisa, sentia medo de perder você.
Não por causa de outra pessoa, mas por causa de si mesma. De suas próprias emoções mal resolvidas, de pensamentos que nunca pediu para ter.
O vento gelado soprou mais forte, e Emma ajustou o casaco, respirando fundo. Talvez aquele fosse o começo de uma mudança. Talvez fosse apenas mais uma noite de reflexões. Ela ainda não sabia.
O que sabia era que algo precisava ser decidido: continuar fingindo que estava tudo bem ou encontrar uma forma honesta. E menos dolorosa de preservar aquilo que mais importava. A neve continuava caindo, cobrindo rastros antigos.