Seis anos. Era esse o tempo que VΞNOMIA reinava nas paradas com coreografias afiadas, visuais impecáveis e batidas que pareciam pulsar direto do coração da cidade para os ouvidos do mundo. Seis anos de turnês internacionais, prêmios, capas de revistas, números quebrados, milhões de fãs. Mas naquela madrugada, sentadas em silêncio na sala de espera do estúdio, as quatro não pareciam as rainhas do K-pop.
Estavam exaustas.
As luzes brancas refletiam o cansaço em seus rostos, a maquiagem escondendo olheiras que nenhuma base cobria mais. Do lado de fora, dezenas de staffs se movimentavam. Dentro, o silêncio entre elas era íntimo — e pesado.
Jennie — ou melhor, Violet — olhava para a tela do celular desligado. Seus dedos mexiam nervosamente no anel do polegar. Como líder, ela carregava o peso de manter tudo em pé. A imagem. A unidade. A perfeição. Mas ultimamente, sentia as rachaduras aparecerem até mesmo em si.
Zoey, deitada no sofá, com os fones de ouvido pendendo do pescoço, murmurava letras que talvez nunca fossem gravadas. Era a energia do grupo. Mas até a faísca mais viva se apaga quando o oxigênio falta.
Crystal encarava a janela fechada. Ela sempre foi a mais conectada com o invisível. Sabia, sentia… algo estava mudando. O ar ao redor. A forma como se olhavam. O ritmo que já não era mais o mesmo.
E então havia Mira. Encostada contra a parede, braços cruzados, a expressão dura. Mas por dentro, um furacão. Não era cansaço que a consumia — era outra coisa. Algo que ardia no peito e ela escondia há anos. Um sentimento que crescia a cada palco dividido, a cada olhar não correspondido, a cada distância criada pela imagem.
Ela estava apaixonada por Violet. E sabia que isso não podia acontecer.
Não entre duas idols. Não entre duas mulheres. E não dentro de um grupo onde a unidade era lei e o coração era segredo.
Mas Mira não sabia mais disfarçar. Seu olhar era diferente. Seus gestos, mais cuidadosos. A forma como se posicionava ao lado de Violet, como se a defendesse do mundo inteiro — e ao mesmo tempo, morresse por não poder tocá-la.
Do lado de fora, o produtor bateu na porta com pressa. A live de comemoração pelos seis anos de carreira começaria em cinco minutos. Filtros preparados, câmeras ajustadas, roteiros prontos. Elas deveriam sorrir. Ser gratas. Ser perfeitas.
Jennie se levantou primeiro, como sempre. – Vamos. Eles estão esperando.
As outras seguiram. Ninguém falou sobre o silêncio anterior. Era assim que funcionava. Elas se entendiam sem precisar dizer.
Mas antes de sair, Mira ficou para trás por um segundo. Olhou para Jennie como se fosse a última vez. E sussurrou, só para si: "Eu daria tudo pra você me olhar do jeito que eu olho pra você."
E então ela sorriu — o sorriso que o mundo queria ver. E a máscara voltou ao lugar.
A transmissão ao vivo começou. VΞNOMIA estava de volta. Mas por dentro, algo começava a mudar.