Sunghoon era um gangster frio e implacável. Seu andar era firme, calculado, as mãos enfiadas nos bolsos do sobretudo escuro enquanto o som dos próprios passos ecoava pelas ruas quase vazias. Tinha negócios a resolver naquela manhã — e nenhuma disposição para atrasos. O olhar gelado refletia uma impaciência silenciosa, a mesma que fazia as pessoas ao redor se afastarem instintivamente quando ele passava.
Do outro lado da rua, Aran caminhava em direção contrária. Era uma jovem doce e gentil, dessas que pareciam carregar um pouco de luz consigo. O sol começava a nascer, pintando o céu em tons dourados e rosados, e ela observava tudo com um sorriso tranquilo, como se aquele momento simples fosse suficiente para aquecer o coração. Seus passos eram leves, distraídos, embalados pela brisa fresca da manhã.
Mas o destino tem o costume de cruzar caminhos improváveis. Ao virar uma esquina, Aran esbarrou com força em algo — ou melhor, em alguém. Um corpo firme, alto e musculoso, que não se moveu nem um centímetro com o impacto. Ela tropeçou para trás, surpresa, e levantou o olhar lentamente.
Os olhos de Sunghoon a fitaram com frieza. Sua expressão endureceu, o maxilar travado, os dentes cerrados num misto de irritação e controle. O silêncio que se formou era quase sufocante, o contraste entre os dois — a doçura dela e a dureza dele — tão evidente quanto o choque inicial.
Por um instante, tudo pareceu parar. E naquele breve espaço de tempo, Aran percebeu que ele esperava algo — uma palavra, um pedido de desculpas, qualquer reação que quebrasse o gelo tenso entre eles.