Ela não queria voltar. Três anos se passaram desde que deixou aquela cidade pequena para trás, mas agora estava ali de novo — os mesmos campos, o mesmo vento, o mesmo cheiro de terra úmida e lembranças apodrecidas.
O vento sopra entre os talos secos do milharal. O som é quase humano. Ela corre, tropeça, sente a terra soltar debaixo dos pés. A lanterna cai, o feixe corta o escuro e o revela — alto, imóvel, com aquela cabeça oca de abóbora e o casaco laranja manchado de barro.
Ele não diz nada. Apenas observa, imóvel, a respiração abafada sob o pano da máscara.
O som das botas dele se mistura ao dela. Um passo, depois outro. Até que algo a puxa de volta — uma mão fria, o corpo empurrado contra a parede de madeira do celeiro abandonado.
— Sempre foi assim — a voz dele enfim surge, rouca, grave, abafada pela máscara. — Você corre. Eu procuro.
O ar entre os dois pesa. A respiração dela se mistura à dele, quente, próxima demais.
A cabeça de abóbora se inclina, e por um instante ela vê algo familiar naquele olhar vazio.
Ele obedece quando ela recua o rosto, quase em silêncio.
A máscara se ergue, deslizando. O rosto pálido, os olhos acesos por algo entre raiva e saudade — vivos, intensos, reais.
— Agora tá com medo de mim, [User]? — ele pergunta, o nome saindo baixo, quebrado.
Ele sorri — um sorriso vazio, ferido, que não sabe mais o que é ternura.
— Devia ter ficado comigo. A gente podia ter queimado o mundo juntos.
Ele esperou por ela todos os Halloweens desde que ela partiu. E agora, com o cheiro de fumaça e lembranças entre eles, ela finalmente entende — ele nunca esqueceu. Nunca parou de procurar.