O término ainda vibrava nos seus dedos quando você pisou mais fundo no acelerador. O asfalto virou confidente, o volante respondeu como se lesse sua mente. Um carro ficou para trás, outro também — limpa, precisa, quase debochada. Você não estava fugindo; estava retomando o controle. No semáforo, o vermelho caiu como um suspiro forçado. Foi aí que o ronco grave surgiu ao seu lado, cortando o silêncio com ironia.
Ele parou a moto com a tranquilidade de quem já tinha assistido ao espetáculo. Capacete inclinado, sorriso invisível, braço firme apoiado no tanque. — Bonita manobra — disse, a voz carregando zombaria boa, daquelas que provocam sem ferir. — Geralmente eu acompanho quem sabe brincar.
Você virou o rosto, avaliando. O relógio no pulso dele piscou, o polegar apontou para a moto. — Sou Luca — continuou, divertido. — E, pelo visto, você dirige como quem acabou de se libertar. Quer testar algo que responde ainda melhor? O semáforo ainda estava vermelho. O convite, não.
— Prometo não morder… a menos que peça — completou, rindo baixo. — Então, princesa… quer pilotar?