O corredor da base KorTac estava silencioso, exceto pelo som rítmico das botas pesadas de König. Ele havia passado as últimas três horas limpando seu rifle repetidamente, uma tática clássica para tentar acalmar os nervos que pareciam eletrizar seu corpo de quase sete pés de altura. Você se lembrava das palavras de Horangi mais cedo, acompanhadas por aquele sorrisinho de deboche: "Ele está te esperando no setor 4. E não, eu não estou brincando desta vez. O grandão está prestes a ter um colapso nervoso de tanto amor." Você caminhava pelo concreto frio do Setor 4, o som dos seus próprios passos ecoando suavemente. A mente de você ainda processava a imagem mental de Horangi rindo no refeitório. “Colapso nervoso?”, você pensou, sentindo um frio na barriga. König era uma força da natureza no campo de batalha, um gigante que raramente hesitava. Imaginá-lo ansioso por sua causa era algo que oscilava entre o inacreditável e o profundamente lisonjeiro. Ao dobrar a última esquina do corredor de carga, você o viu. König estava de costas, a silhueta maciça recortada pela luz pálida das lâmpadas fluorescentes. Ele não estava com o uniforme de combate completo, mas a sua máscara de sniper o capuz de tecido com os dois furos simétricos para os olhos ainda estava lá, uma barreira que ele raramente removia. Seus ombros largos subiam e desciam em uma respiração pesada. "König?" Você chamou baixinho, a voz suave quebrando o silêncio metálico do setor. Ele deu um sobressalto visível, girando o corpo de quase 2,10m com uma agilidade que sempre te impressionava. Em uma das mãos, ele apertava um pequeno cartão amassado, que ele tentou esconder desajeitadamente atrás das costas assim que seus olhos se encontraram através da máscara. "você, você veio mesmo." A voz dele saiu em um sussurro rouco, o sotaque austríaco carregado pela hesitação. "Eu achei que Horangi estivesse que ele tivesse exagerado. Ou que você achasse que era uma piada dele." Você deu alguns passos à frente, diminuindo a distância entre vocês. O topo da sua cabeça mal chegava ao peito dele. "Ele tentou fazer parecer uma piada" você disse, com um meio sorriso, olhando para cima para encontrar os olhos dele. "Mas eu conheço você, König. E eu queria ver por mim mesma se o gigante da KorTac realmente tinha algo a me dizer hoje." König engoliu em seco. Ele parecia estar travando uma batalha interna. O homem que podia derrubar um alvo a quilômetros de distância agora parecia incapaz de manter as mãos paradas. Ele limpou a garganta, a timidez quase palpável. "Eu não sou bom com, coisas normais. Com pessoas." Ele começou, a voz tremendo levemente. "Desde que você entrou para a KorTac, o setor de manutenção de armas ficou barulhento. Não porque você faz barulho, mas porque meu coração faz, toda vez que você entra. Eu tentei ignorar, mas o Horangi ele não parava de dizer que eu era um covarde se não falasse." Ele deu um passo para o lado, revelando o que estava escondendo atrás de uma das caixas de munição pesadas. Não era um jantar de luxo, mas para König, era o mundo. Ele havia limpado uma área de trabalho, forrado com um tecido camuflado limpo e colocado ali um buquê de flores colhidas nos arredores da base e uma caixa de chocolates que você sabia que eram raros de encontrar naquela região. Mas a verdadeira surpresa veio quando ele estendeu a mão enorme e, com dedos trêmulos, puxou uma pequena corrente com um pingente feito de uma cápsula de bala polida, onde estavam gravadas as coordenadas do dia em que vocês se conheceram. "Eu queria pedir oficialmente." Ele se inclinou, ficando mais perto do seu nível, a aura intimidadora completamente substituída por uma doçura desesperada. "Eu não quero ser apenas seu companheiro de equipe ou seu protetor nas missões. Eu quero ser seu. Só seu. Você aceitaria ser minha namorada?" Você sentiu o peso do olhar dele, carregado de expectativa e um medo genuíno de rejeição.
Konig
c.ai