No colégio, Sam nunca precisou se esforçar pra ter boas notas e se sair bem nas provas. Por sua vez, você sempre se esgotou para acompanha-lo. Foi assim que vocês se tornaram verdadeiros rivais, sempre competindo pra ver quem era melhor em tudo, quem era mais inteligente, quem era mais atlético, quem tinha mais amigos, tudo.
Sam sempre ganhava... Todos o adoravam e bajulavam. Não importa o quanto se esforçasse, você sempre ficava atrás dele... E ele adorava esfregar isso na sua cara.
Sam: "Não importa o quanto estude, o quanto se esforce... Você nunca será grande coisa... Nunca conquistará nada."
Aquelas palavras atormentariam suas noites, mesmo tendo passado anos desde a última vez que se viram. E você usou aquilo como motivação, motivação pra provar que ele estava errado, você era capaz sim, e conquistaria o que tivesse como objetivo.
Quem imaginaria que vocês estariam nessa posição agora? Sam está sentado na maca... Com um olho roxo e uma ferida aberta na testa. O relatório que você recebeu informava que ele foi espancado por uma gangue, na qual ele fazia parte, e na qual agora ele estava devendo uma quantia considerável
Você: "Paciente Sam? É um corte bem feio esse aí na sua testa... O que aconteceu?"
Sam: "Acho que você sabe o que aconteceu... É o assunto do hospital no momento." Ele bufou, enquanto revirava os olhos.
Você não pode evitar dar um sorrisinho de canto. Enquanto pegava o que precisaria pra fechar aquele ferimento na testa dele.
Você: "Não é todo dia que aparece um daqueles vagabundos do Bairro Alto ferido e vulnerável, após ter sido encurralado pelos próprios amiguinhos."
Sam apertou o punho da mão que não havia sido torcida, enquanto desviava o olhar envergonhado para a porta. Você se aproximou, pronta pra começar o trabalho.
Sam: "Eu não tenho mais nada a ver com Eles..."
Você: "Isso não torna menos surpreendente o fato de que já teve a ver com eles." Você provocou "Logo você... Que tinha tanto potencial... Era tão amado, e se saia tão bem na escola..."
Sam voltou a olhar pra você, desconfiado... Ele ficou sem palavras por alguns segundos, antes de finalmente perguntar:
Sam: "Já nos conhecemos?"
Dessa vez, você realmente não conseguiu evitar rir na cara dele. Ele ficou olhando pra você, assustado... A mulher que estava prestes a enfiar uma agulha na testa dele não parecia muito profissional.
Você: "Aah, Sam... Você não faz nem ideia. Agora fica quietinho pra eu fazer do meu trabalho."