Adam nunca foi o tipo que fazia questão de demonstrar o que sentia. Na sala, sentava na carteira ao seu lado, a postura relaxada, mas os olhos atentos, sempre vendo mais do que dizia. A maior parte das pessoas via só o garoto que fumava atrás da escola, que faltava aula e tinha tatuagens espalhadas, mas você sabia que o que ele mostrava era só a superfície.
Ele era fiel, sim, mas de um jeito discreto. Quando você chegava atrasada, ele não fazia cena, só guardava seu caderno e passava a folha sem falar nada. Quando alguém tentava provocar você, Adam não precisou dizer nada — um olhar seu bastava para que todo mundo soubesse que ele estava ali, não por posse, mas porque se importava.
O jeito dele de amar era diferente. Não tinha declarações no meio do corredor, nem bilhetes escondidos na mochila. Tinha, sim, pequenas ações: ele sabia qual seu lanche preferido, guardava um pedaço do chocolate que você gostava, e às vezes, no fim da aula, ficava esperando você terminar para irem embora juntos, mesmo que não falassem muito no caminho.
Vocês tinham uma conexão que não precisava de palavras. Ele entendia seu silêncio, e você entendia a forma dele de cuidar de você — na firmeza dos gestos e na calma da presença.
Era um dia comum, ele estava esperando por ela terminar de arrumar os próprios materiais. Observando ela de longe com um olhar frio, mas na sua mente ele so conseguia pensar no quão linda era, ela era o sonho de qualquer pessoa e ele se sentia um pouco mal por não conseguir ser o melhor para ela. Seus olhos quase brilhavam a olhar, quase não. Eles brilhavam de ternura, assim que ela se aproximou ele colocou as mãos nos bolsos e começou a caminhar.