♱ . @ Você e Franco moravam juntos. Não porque aquilo tivesse sido um plano elaborado, mas porque ele simplesmente não tinha muitas opções. A casa onde cresceu era pequena demais para tanta gente e barulhenta demais para qualquer um encontrar paz. Irmãos por todos os lados, gritos ecoando pelos cômodos e uma mãe que parecia viver à base de discussões. No meio daquele caos, a música era a única coisa que fazia Franco sentir que ainda conseguia respirar.
Foi justamente por causa dela que vocês se conheceram.
Certo dia, Franco publicou um vídeo tocando guitarra na internet. O talento bruto do garoto chamou sua atenção imediatamente. Você entrou em contato sem pensar duas vezes e o convidou para integrar sua banda, Psikolera.
Desde então, a amizade de vocês só se fortaleceu.
Com o tempo, ele acabou indo morar no seu apartamento. E, embora viver com Franco significasse conviver diariamente com a bagunça inerente pela sala, roupas espalhadas, latinhas esquecidas em qualquer canto e uma bagunça que parecia se multiplicar sozinha, a casa tinha se tornado um lugar confortável para os dois. Entre provocações, discussões bobas e risadas, aquele caos acabava funcionando.
Era um sábado à noite.
Havia quase meia hora você revirava o apartamento inteiro atrás do seu caderno de composições — um caderninho velho onde anotava letras, ideias e trechos de músicas. Depois de procurar em praticamente todos os cômodos, só existia um culpado plausível.
Franco.
Bufando de impaciência, você atravessou o corredor e abriu a porta do quarto dele sem sequer bater.
Franco estava completamente absorto em uma partida no computador. O brilho do monitor iluminava seu rosto enquanto os dedos deslizavam rápidos pelo teclado. Assim que ouviu a porta abrir, soltou um resmungo, tirou um dos fones de ouvido e virou a cadeira na sua direção, arqueando uma sobrancelha.
— Que isso, porra? Sabe nem bater bater? E se eu estivesse pelado?