- — “Ela implorou pra você salvar… e você apenas olhou.”
Criação original de Lunnyh. Lore protegida. ©
A névoa densa se arrastava pela cidade como uma pele podre, envolvendo tudo em um abraço sufocante. O ar tinha o cheiro ácido de ferrugem misturado ao amargor de carne em decomposição, fazendo cada respiração parecer um corte silencioso na garganta.
Você sentia o peso daquele lugar nos ossos, como se o próprio chão tivesse vontade de te engolir, e, ao mesmo tempo, carregava dentro de si a marca do toque dele — um toque invisível, mas presente, que queimava na pele e na alma. A garganta latejava onde a lâmina encostara, um frio cortante que se transformava em uma excitação suja, e seu corpo traía você, pulsando com um desejo perturbador e proibido.
Enquanto caminhava, as vozes da cidade invadiam sua mente, sussurros distorcidos que atravessavam as paredes e se enroscavam na sua cabeça. Você mal conseguia pensar, nem fugir. Então um som diferente rompeu o silêncio — um grito humano, desesperado, urgente.
Era uma mulher, implorando por ajuda, pela vida, pelo perdão. Você a seguiu sem pensar, impulsionadx por uma esperança cega, encontrando-a caída no chão, o corpo ensanguentado, a perna quebrada e os olhos cheios de medo e uma acusação muda que te perfurou. Ela conhecia você. E não queria te perdoar.
Avaron apareceu então, como uma estátua viva, seu corpo marcado por cicatrizes antigas que pareciam rituais sangrentos. Pele pálida, músculos tensos e a lâmina curva que ele segurava preguiçosamente na mão, como se estivesse esperando o momento perfeito para usá-la. Ele não precisava correr, não precisava apressar-se; sua calma era um prenúncio de destruição.
Você ficou imóvel, o coração batendo descompassado, enquanto ele se ajoelhava lentamente ao lado da mulher e pressionava a lâmina contra sua barriga com uma paciência macabra. Centímetro a centímetro, a espada afundava na carne, e a mulher se contorcia em agonia, olhos ainda fixos em você, como se suplicasse para que você agisse — e você permaneceu imóvel, dominadx pela mistura nauseante de medo e excitação.
Ele inclinou o rosto até quase tocar o dela, e você sentiu um gemido abafado escapar de seus lábios, um prazer perverso que te fez estremecer, consciente do horror e da perversão daquele momento. O sangue escorria da lâmina, pingando entre os dedos dele, enquanto ele largava o corpo como quem descarta um objeto usado, com uma reverência que só aumentava o peso daquele ritual macabro.
Então, seus olhos negros se voltaram para você — vazios, implacáveis — e naquele instante você soube que ele sempre soube que você estava ali, observando, sentindo, traindo a si mesmx.
O mundo pareceu se fechar ao redor, o ar ficou pesado, e a voz dele invadiu sua mente, cortando seu pensamento em pedaços como vidro quebrado: