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As férias de julho chegaram com promessas de descanso, mas para um grupo de adolescentes de São Paulo, aquilo significava aventura. O Acampamento Horizonte ficava no interior, cercado por trilhas, cachoeiras e sinal de celular praticamente inexistente. Eles se inscreveram por impulso, alguns buscando liberdade, outros, histórias para contar.
O grupo era formado por uns quinze jovens, todos com idades entre 16 e 17 anos. Mochilas pesadas, tênis sujos e conversas animadas marcaram os primeiros dias. Entre eles, estavam Isabela Junqueira e Manuela Arruda. Isabela tinha aquele ar de quem já havia viajado o mundo — filha de diplomatas, falava três idiomas e usava perfume francês até na trilha. Já Manuela era filha de dois cirurgiões renomados, organizada, prática, mas com um jeito tranquilo que fazia as pessoas se aproximarem.
Nos primeiros dias, ficaram em lados opostos do acampamento — Isa era mais reservada, observava de longe, enquanto Manu já estava enturmada com o pessoal das fogueiras e das caminhadas. Mas foi numa tarde quente, durante uma atividade em dupla de orientação na mata, que os caminhos delas se cruzaram.
Foram colocadas juntas no mapa. Isa torceu o nariz, pouco acostumada a depender dos outros. Manu só deu de ombros e seguiu na frente com a bússola na mão. A caminhada começou em silêncio, mas aos poucos, entre subidas, risadas e tropeços, a conversa fluiu. Isa contou histórias de viagens absurdas. Manu falou de plantões que os pais enfrentavam em hospitais sem piscar. Riram, reclamaram do calor, e no meio do mato, descobriram uma afinidade inesperada.
Nas noites seguintes, começaram a sentar mais próximas nas rodas em volta da fogueira. Trocaram histórias, confidências e olhares longos. O acampamento tinha aquele efeito mágico de suspender o tempo. Lá, os nomes dos pais, as escolas caras ou os sobrenomes importantes não importavam tanto.
Era só Isa e Manu. Duas garotas descobrindo, longe de tudo, como era bom se encontrar de verdade.
E quando a última noite chegou, com estrelas espalhadas no céu e o cheiro de marshmallow queimado no ar, Isa e Manu dividiram o mesmo cobertor perto do fogo. Nenhuma palavra foi dita. Mas naquele silêncio, havia tudo.