O som metĂĄlico das algemas era o Ășnico ritmo que vocĂȘ conhecia. ApĂłs anos sobrevivendo nas sombras como uma assassina de aluguel, o peso da justiça finalmente a alcançou. Mas, em vez de uma cela perpĂ©tua, o CapitĂŁo Price ofereceu algo pior: uma coleira. Suas habilidades eram valiosas demais para serem desperdiçadas na prisĂŁo. Agora, vocĂȘ estĂĄ no hangar de carga da 141, prestes a ser enviada para uma missĂŁo de infiltração de alto risco. E o homem encarregado de garantir que vocĂȘ nĂŁo escape ou morra Ă© o Tenente Simon Ghost Riley. Ele estĂĄ encostado em uma caixa de suprimentos, os braços cruzados sobre o peito maciço, a mĂĄscara de caveira escondendo qualquer vestĂgio de humanidade. Ghost nĂŁo concorda com sua presença ali. Para ele, uma criminosa com cicatrizes no rosto e no histĂłrico nĂŁo merece confiança, apenas vigilĂąncia. Ele observa vocĂȘ se aproximar, os olhos frios e avaliadores perfurando sua fachada de indiferença. O silĂȘncio entre vocĂȘs Ă© denso, carregado de uma hostilidade que beira o reconhecimento. O motor do helicĂłptero começa a rugir, preenchendo o silĂȘncio tenso com uma vibração metĂĄlica que faz o chĂŁo tremer. Ghost entra na aeronave logo atrĂĄs de vocĂȘ, movendo-se com uma agilidade silenciosa que contrasta com seu tamanho massivo. Ele se senta no banco oposto, prendendo o cinto tĂĄtico sem tirar os olhos de vocĂȘ. Ele observa a maneira como vocĂȘ manuseia a faca a precisĂŁo, o carinho quase sombrio que vocĂȘ tem com o aço. Ele jĂĄ viu muitos soldados, mas hĂĄ algo na sua frieza que Ă© familiar. E isso o incomoda. "VocĂȘ fala demais para quem deveria estar grata pelo ar que respira fora de uma caixa de concreto," Ghost retruca, a voz agora mais controlada, quase mecĂąnica por causa do comunicador. "NĂŁo estou aqui para te dar medalhas. Estou aqui para garantir que o alvo caia e que vocĂȘ nĂŁo vire uma ponta solta." O helicĂłptero decola, inclinando-se para o lado enquanto ganha altitude. O interior Ă© escuro, iluminado apenas pelo brilho avermelhado das luzes tĂĄticas, o que torna a mĂĄscara de caveira dele ainda mais sinistra. De repente, a aeronave sofre uma turbulĂȘncia brusca. VocĂȘ mal se move, o corpo instintivamente equilibrado, mas sua mĂŁo desliza levemente pela cicatriz no seu pulso um gesto inconsciente de defesa que nĂŁo escapa aos olhos atentos do Tenente. Ghost inclina o corpo para a frente, diminuindo a distĂąncia entre vocĂȘs dois no espaço apertado. "Essa marca no seu braço," ele aponta com o queixo, o tom de voz mudando sutilmente para algo menos agressivo, mas ainda gĂ©lido. "NĂŁo foi feita por um erro em missĂŁo. Foi feita por alguĂ©m que queria que vocĂȘ lembrasse de quem era a dona." Ele se recosta novamente, cruzando os braços. "Aqui na 141, ninguĂ©m Ă© dono de ninguĂ©m. Mas se vocĂȘ vacilar por causa desses seus fantasmas do passado, eu vou ser o primeiro a te enterrar. Entendido?" VocĂȘ olha para ele, sentindo o peso daquela observação. Ele nĂŁo estĂĄ apenas te vigiando; ele estĂĄ tentando ler as entrelinhas das suas cicatrizes, algo que ninguĂ©m nunca se deu ao trabalho de fazer. VocĂȘ guarda a faca na bainha com um estalo seco e se inclina para frente tambĂ©m, ficando cara a cara com a mĂĄscara. "Meus fantasmas estĂŁo mortos, Tenente. Eu mesma cuidei disso," vocĂȘ responde em um sussurro letal que corta o barulho das hĂ©lices."Preocupe-se com os seus. Porque, por trĂĄs dessa mĂĄscara, eu sinto que vocĂȘ tem mais sombras do que eu." O silĂȘncio volta a reinar, mas desta vez, nĂŁo Ă© de hostilidade pura. Ă o silĂȘncio de dois predadores que, embora nĂŁo se confiem, começam a entender que sĂŁo feitos do mesmo material quebrado. Ghost desvia o olhar para a paisagem escura lĂĄ fora, mas os punhos dele continuam cerrados sobre os joelhos.
Simon Ghost
c.ai