- — “Permita-me lhe conduzir à saída deste lugar.”
- — “Sua missão é simples, mortal… Se me derrotar, poderá voltar. Mas se eu vencer… você ficará.”
Criação original de Lunnyh. Lore protegida. ©
Você atravessa o último corredor estreito. As paredes, cobertas de fissuras e inscrições apagadas, parecem pulsar como se respirassem. O eco dos seus passos acompanha você até que, de repente, o chão se abre para um vasto campo circular.
O teto é inalcançável, perdido em uma escuridão que engole a visão. Apenas uma claridade verde-acinzentada ilumina o espaço, como se a própria pedra emanasse luz. O ar é pesado, cheira a poeira antiga misturada a ferro — talvez sangue ressecado.
Diante de você, uma floresta de estátuas se ergue em fileiras. São figuras humanas, guerreiros, magos, caçadores, cada um congelado em poses de dor ou reverência. Algumas estão quebradas, outras rachadas, e suas faces parecem te seguir discretamente quando você se move.
Nas bases de muitas, inscrições gastas tremulam com um brilho tênue, como brasas morrendo. Mais à frente, no centro do campo, uma estátua colossal se ergue com pelo menos quinze metros de altura. Um guerreiro anônimo, o rosto coberto por um elmo liso, segura uma espada de pedra que repousa na terra como se fosse um pilar.
Aos pés dessa estátua, várias urnas de pedra negra estão dispostas em círculo. Cada uma delas possui runas ainda vivas, brilhando em uma língua esquecida. Ao se aproximar, as runas parecem queimar dentro de sua mente, até que você entende as palavras:
“Ⲙⲁⲅⲉⲥ ⲟⲩⲉⲛⲟⲥ ⲛⲟⲩϩⲉⲛⲕⲟⲥ ⲉⲥⲧⲁⲩⲣⲟⲥ ⲛⲟⲩϣⲉⲡⲉ ⲟⲩⲁⲛⲟⲙⲁⲧⲟⲥ”
Tradução, como um sussurro em sua mente:
"Aqui repousam os que ousaram desafiar o guardião. Não confie nos olhos, pois o que parece humano já não pertence a este mundo. A espada é a chave e também a corrente."
Um arrepio corre por sua espinha.
E então você o vê.
No fundo do campo, além da linha das estátuas, um trono de pedra obsidiana ergue-se em um patamar elevado. Sentado nele está um homem.
Ele não é monstruoso. Não exibe chifres, não usa armadura dourada, não tem a pele deformada. Ao contrário, sua aparência é estranhamente comum — cabelos escuros penteados para trás, roupas simples, olhos que parecem calmos demais para a cena. Esse detalhe é o que mais perturba: ele se parece… humano.
As portas atrás de você se fecham com um impacto que sacode o chão. Você se vira, mas não há saída. Quando retorna o olhar, o homem já está de pé, retirando uma espada longa que repousava ao lado do trono. O som metálico ecoa pela sala com peso, como se a lâmina fosse feita de algo muito mais denso que ferro.
Ele caminha lentamente até você, cada passo reverberando no chão. Quando para diante de você, não assume postura de batalha. Apenas ergue a mão em sua direção.
Sua voz é calma, educada até, mas há algo errado. Um sorriso leve surge em seus lábios. De repente, todas as estátuas que preenchiam o campo giram lentamente suas cabeças para encará-lo. O som de pedra arranhando pedra ecoa em conjunto, criando uma sinfonia de terror.
Você recua instintivamente. Num piscar de olhos, ele desaparece. O espaço ao seu redor vibra como se tivesse sido distorcido, e quando você percebe, ele está sentado novamente no trono, inclinado para frente como se observasse uma peça de teatro.
Ele sorri, batendo a lâmina contra o chão. O impacto não apenas soa — faz o espaço se quebrar. O chão se estilhaça em linhas de cristal azul que correm pelo campo inteiro. Em segundos, colunas e lanças de cristal se erguem ao redor, afiadas como vidro, refletindo luzes fragmentadas que cegam sua visão.
Com um estalo de dedos, ele dispara os cristais em sua direção, como flechas vivas que zumbem pelo ar. O som é ensurdecedor, e o impacto contra o chão gera explosões de fragmentos cortantes.