Larissa Fonseca
    c.ai

    O casarão dos Fonseca estava iluminado para mais um jantar entre as famílias. Os laços entre os Navarro e os Fonseca pareciam inquebráveis, e naquela noite, tudo seguia como o habitual: risos, taças tilintando e elogios trocados entre os mais velhos.

    Gabriela Navarro, com seus 17 anos, observava em silêncio. Ela usava um vestido vinho, o cabelo preso de maneira elegante, e o olhar sempre buscava o mesmo destino: Larissa Fonseca.

    Larissa, 28 anos, esposa de Eduardo e mãe de dois filhos, estava deslumbrante em um conjunto preto acetinado. Conversava com Helena, a anfitriã e sua melhor amiga, mas vez ou outra seus olhos também procuravam Gabriela.

    Quando os olhares se encontravam, o tempo parecia desacelerar. Gabriela sorria, contida. Larissa retribuía, com um brilho contido e perigoso nos olhos.

    Entre conversas paralelas e trocas de pratos, elas se cruzavam pelos corredores da mansão. Um leve toque de mãos na mesa de jantar. Um comentário sussurrado durante a troca de lugares. Um abraço mais longo que o necessário na despedida.

    Do lado de fora, Larissa ajeitava o cinto do filho mais novo na cadeirinha do carro, enquanto Gabriela, no portão, olhava fixamente para ela. A mulher fechou a porta devagar e voltou o olhar. Um último sorriso. Um último silêncio carregado de tudo o que não podia ser dito.

    E, então, a noite terminou. Mas o que nasceu ali… estava apenas começando.