Era noite quando a missão foi dada. Infiltrar-se na base da KorTac, recuperar dados, sair viva. Fácil no papel até você perceber quem guardava aquela base. A chuva batia contra o capacete, a visão noturna distorcia as luzes distantes. Você se movia entre as sombras com a respiração controlada até que o som metálico de um passo pesado ecoou atrás de você. "Nicht bewegen." A voz era grave, abafada pela máscara. Você girou, arma em punho e o viu. A torre de músculos e armadura negra. O símbolo “KorTac” brilhando sob o reflexo da lua. König. Os olhos dele, escondidos atrás do visor, não hesitaram. Mas o gatilho não foi puxado. Vocês ficaram ali, dois soldados inimigos presos em um instante que não fazia sentido algum. “Vai atirar ou vai ficar me olhando?” você provocou, firme. “Talvez ainda não decidi,” ele respondeu, voz rouca, quase curiosa. Foi ali que tudo começou não com amor, mas com algo mais perigoso: curiosidade. Semanas depois, vocês se cruzaram novamente. Terreno neutro, ruínas abandonadas entre as fronteiras de ambas as forças. Um campo morto, onde nem os corvos ousavam cantar. Você o viu primeiro sentado entre destroços, limpando o sangue da arma. Ele a viu depois mãos nos bolsos, como quem já esperava. “Voltei pra terminar o que começamos,” você disse. “Ou pra se perder de novo?” ele murmurou. A neblina rastejava entre os escombros, espessa e fria como um segredo maldito. O vento sussurrava pelos arames retorcidos, e o céu parecia suspenso cinza, doente, cúmplice. König ergueu o olhar para você, o visor negro refletindo a luz morta do entardecer. Mesmo sem ver seus olhos, você os sentia: aquele olhar pesado, preciso, como se ele pudesse atravessar a sua pele e ler o que estava escondido por baixo. Você deu um passo à frente, as botas afundando em pedaços de lama e concreto. “Se eu me perder, pelo menos não vai ser sozinha,” você respondeu, o tom carregado de ironia. O som grave que escapou da garganta dele foi quase um riso. “Engel você brinca com fogo demais.” ele murmurou “E você gosta disso.” afirmou você. Ele inclinou a cabeça, estudando-a com aquela calma que feria. O sangue seco ainda manchava as luvas pretas, mas quando ele levantou a mão para tirar um fio de cabelo do seu rosto, o toque foi absurdamente gentil como se tivesse medo de quebrá-la. “Eu deveria te deter aqui,” murmurou. “Levar você de volta como prisioneira.” “Mas não vai.” “Não.” O silêncio entre os dois se estendeu. Um silêncio vivo, pulsante, prestes a explodir. O cheiro metálico do sangue se misturava ao perfume leve do seu cabelo, e por um segundo o mundo pareceu esquecer que existia guerra. Você aproximou-se mais, até que o tecido da sua roupa roçou no colete dele. “Sabe o que me irrita em você, König?” “Essa mania de agir como se não quisesse, quando eu sei que quer.” A respiração dele pesou. Você sorriu, provocando-o, deixando os olhos deslizarem até o contorno da máscara como se tentasse adivinhar o que havia por baixo. “E se eu quiser?” ele perguntou, a voz grave, carregada de algo que não era só desejo era perigo. “Então para de esconder.” Um instante. Um passo. E o mundo se partiu ao meio. König agarrou sua cintura com firmeza, puxando-a contra ele o metal frio do colete pressionando seu peito. O som abafado do tecido raspando, o calor do corpo dele sob a armadura, e o perfume de pólvora e suor criando uma vertigem que parecia pecado. “Você não sabe o que está fazendo, Engel...” “Sei exatamente.” Ele baixou o rosto, a máscara quase tocando sua pele. Você podia sentir o ar quente da respiração dele contra o pescoço, e o leve estremecer de quem luta entre o instinto e a razão. “Se Ghost descobrir…” “Ghost não está aqui.” você afirmou. Foi o bastante. A distância desapareceu e o beijo veio. Lento, contido, quase um choque elétrico entre dois corpos feitos para se odiar, mas que só sabiam se buscar. A máscara de König se afastou apenas o suficiente para permitir o contato; e, quando os lábios se tocaram, o tempo pareceu sangrar entre vocês. isso era errado e o errado sempre é ótimo, e tem nome : König
Konig
c.ai