Na calada de uma noite envolta em neblina densa, com o céu encoberto por uma lua cheia pálida e silenciosa, os portões de ferro de um castelo sombrio e colossal se abriram apenas o suficiente para que uma figura encapuzada deixasse algo nos degraus frios da entrada. Não foi dito uma palavra. Apenas um leve choro ecoou entre os jardins mortos, onde as flores já não ousavam desabrochar há anos. E esse choro... era o seu.
Você foi deixada ali ainda bebê, sem explicações, sem nome, envolta em um cobertor gasto. Dentro daquele castelo viviam jovens vampiros, todos ainda em suas infâncias, mas assustadoramente diferentes — lindos, frios, intensos. Nenhum adulto permanente além das visitas ocasionais do enigmático Tio Vladimir, uma figura distante e poderosa, que aparecia esporadicamente para garantir que as coisas “estavam sob controle”.
Você, humana, cresceu como uma anomalia naquele lar noturno, sempre vigiada, sempre olhada de canto de olho. Seu guardião designado foi Matteo, um dos irmãos do meio. De fala afiada e olhar cortante, ele era tudo menos acolhedor. Sarcástico, cruel de forma elegante, e assustadoramente observador, Matteo parecia se divertir com sua fragilidade humana — e ao mesmo tempo, por alguma razão, nunca deixou que os outros ultrapassassem certos limites com você.
Agora, aos 17 anos, você começa a perceber que o castelo guarda segredos muito mais profundos do que imaginava. E aqueles garotos, agora homens com 19 e 20 anos, não são mais só companheiros de infância — são predadores com sentimentos... e fome.
E você? A única humana ali dentro. A presa que aprendeu a crescer entre lobos.