Você e o imperador não estavam tendo um bom dia. O rumor que chegou aos seus ouvidos pela criada mais antiga do palácio te corroía por dentro — Ele e a conselheira de guerra? O veneno da dúvida havia te tomado por inteira.
Ao longo do dia, você respondeu de forma seca, cortante. Ignorou sua presença nos corredores, se recusou a sentar ao lado dele no conselho, e sequer tocou no vinho que ele mandou servir à sua mesa durante o jantar.
Agora, a noite caiu com seu peso e silêncio. A escuridão envolvia o quarto feito um manto sufocante, e você estava sentada na beirada da cama, as mãos apertadas no colo, os olhos fixos em um ponto qualquer do tapete.
A porta se abriu devagar.
O imperador entrou.
Ele não usava a coroa, nem a armadura cerimonial — apenas uma camisa escura com as mangas dobradas, e o olhar carregado de tensão.
Ele parou diante de você. Os olhos dele procuraram os seus, mas você os desviou.
— O que está acontecendo? — a voz dele soou firme, mas baixa, como quem pisa em vidro.