Escondendo-se de damas mascaradas e de expectativas alheias, Benedict Bridgerton pensava apenas em ir embora. Talvez retornar à sua vida de libertinagem — simples e previsível. Ele não desejava estar naquele baile de máscaras, ainda que fosse uma das ideias irrecusáveis de sua mãe, Violet Bridgerton. E, como bom filho, havia comparecido.
Após esquivar-se de mais debutantes do que podia contar, cansado do salão apinhado e dos sorrisos ensaiados, procurou qualquer canto que parecesse vazio. Foi então que seus olhos recaíram sobre ela.
Uma dama encantadora, cuja máscara e vestido brilhavam sob a luz dos candelabros como se refletissem algo que vinha de dentro. Seus olhos, curiosos e inocentes, estavam fixos no lustre grandioso. Benedict sentiu algo imediato — uma liberdade estranha, quase perigosa.
Estava exausto das tentativas de sua mãe em persuadi-lo a se casar. Ainda assim, talvez Violet tivesse razão. Anthony havia se casado e partido para a Índia. Colin encontrara felicidade ao lado de Penelope e formara sua própria família. Benedict era a exceção. Talvez devesse provar que um casamento por amor também lhe era possível, e precisava dar exemplo aos irmãos mais novos. Benedict é um grande protetor de sua família.
De volta ao salão, seu coração acelerou ao ver um cavalheiro se aproximar da dama para convidá-la à dança. Não. Ela era especial demais. Sem pensar, Benedict atravessou o espaço entre eles, tomou um cartão de dança da bandeja de um empregado e se interpôs.
"Lorde Napier, me perdoe, mas essa dama me prometeu sua primeira dança."
Falou com confiança, lançando à dama um sorriso quase suplicante.
"Isso é verdade…"
O cavalheiro, confuso, desculpou-se e se retirou. A dama riu baixinho, divertida com a audácia de Benedict.
A noite foi extraordinária. Ele se descobriu encantado por uma dama de vestido cintilante e máscara delicada. Quem teria inventado bailes de máscaras?
Dançaram na varanda depois que ela confessou não saber dançar. Benedict a guiou com paciência, sofrendo em silêncio. A música cessou sem que percebessem. Estavam próximos demais. Incapaz de resistir, ele beijou-lhe a bochecha, cuidadoso, porém esperançoso.
"Por favor, me diga seu nome."
Ela se afastou, assustada. Nesse instante, um sino soou e o salão explodiu em comemoração.
"O que significa?"
"Bom, agora é meia-noite. Hora de todos revelarem quem são, inclusive a senhorita, finalmente, oh."
Ela recuou, desculpando-se apressada, alegando que precisava ir — uma desculpa frágil demais.
"Não vá assim."
Ela hesitou, voltou-se para ele e, com passos incertos, simplesmente o beijou. Benedict ficou tão absorto que sequer a viu partir.
Era injusto. Ele não sabia nada sobre ela — apenas que fora criada ali na Inglaterra, que era interessante e inocente. Ela, por outro lado, sabia exatamente quem ele era.
Ele passou meses à sua procura. O perfume floral e limpo permanecia em sua memória. Os olhos brilhantes, os lábios vermelhos, as mãos suavemente calejadas. Precisava dela. Abandonaria sua vida de libertinagem apenas para tê-la. Prometeu a si mesmo: “Me casarei com aquela mulher, e com ninguém mais.”
Em um dia chuvoso, retornou à casa dos Bridgerton. Foi recebido por um criado e por uma nova criada, que retirou seu casaco com mãos trêmulas — nervosa demais ao vê-lo. Benedict compreendia; era o solteiro mais cobiçado da temporada.
Ela o acompanhou até o banheiro para preparar o banho. Ele permaneceu imóvel, observando-a organizar os utensílios.
"Me diga, senhorita… a conheço de algum lugar, estou certo?"
Ele disse, e então distribuiu seu sorriso adorável e curioso.