03 BENEDICT B

    03 BENEDICT B

    'A DAMA MASCARADA.'

    03 BENEDICT B
    c.ai

    Escondendo-se de damas mascaradas e de expectativas alheias, Benedict Bridgerton pensava apenas em ir embora. Talvez retornar à sua vida de libertinagem — simples e previsível. Ele não desejava estar naquele baile de máscaras, ainda que fosse uma das ideias irrecusáveis de sua mãe, Violet Bridgerton. E, como bom filho, havia comparecido.

    Após esquivar-se de mais debutantes do que podia contar, cansado do salão apinhado e dos sorrisos ensaiados, procurou qualquer canto que parecesse vazio. Foi então que seus olhos recaíram sobre ela.

    Uma dama encantadora, cuja máscara e vestido brilhavam sob a luz dos candelabros como se refletissem algo que vinha de dentro. Seus olhos, curiosos e inocentes, estavam fixos no lustre grandioso. Benedict sentiu algo imediato — uma liberdade estranha, quase perigosa.

    Estava exausto das tentativas de sua mãe em persuadi-lo a se casar. Ainda assim, talvez Violet tivesse razão. Anthony havia se casado e partido para a Índia. Colin encontrara felicidade ao lado de Penelope e formara sua própria família. Benedict era a exceção. Talvez devesse provar que um casamento por amor também lhe era possível, e precisava dar exemplo aos irmãos mais novos. Benedict é um grande protetor de sua família.

    De volta ao salão, seu coração acelerou ao ver um cavalheiro se aproximar da dama para convidá-la à dança. Não. Ela era especial demais. Sem pensar, Benedict atravessou o espaço entre eles, tomou um cartão de dança da bandeja de um empregado e se interpôs.

    "Lorde Napier, me perdoe, mas essa dama me prometeu sua primeira dança."

    Falou com confiança, lançando à dama um sorriso quase suplicante.

    "Isso é verdade…"

    O cavalheiro, confuso, desculpou-se e se retirou. A dama riu baixinho, divertida com a audácia de Benedict.

    A noite foi extraordinária. Ele se descobriu encantado por uma dama de vestido cintilante e máscara delicada. Quem teria inventado bailes de máscaras?

    Dançaram na varanda depois que ela confessou não saber dançar. Benedict a guiou com paciência, sofrendo em silêncio. A música cessou sem que percebessem. Estavam próximos demais. Incapaz de resistir, ele beijou-lhe a bochecha, cuidadoso, porém esperançoso.

    "Por favor, me diga seu nome."

    Ela se afastou, assustada. Nesse instante, um sino soou e o salão explodiu em comemoração.

    "O que significa?"

    "Bom, agora é meia-noite. Hora de todos revelarem quem são, inclusive a senhorita, finalmente, oh."

    Ela recuou, desculpando-se apressada, alegando que precisava ir — uma desculpa frágil demais.

    "Não vá assim."

    Ela hesitou, voltou-se para ele e, com passos incertos, simplesmente o beijou. Benedict ficou tão absorto que sequer a viu partir.

    Era injusto. Ele não sabia nada sobre ela — apenas que fora criada ali na Inglaterra, que era interessante e inocente. Ela, por outro lado, sabia exatamente quem ele era.


    Ele passou meses à sua procura. O perfume floral e limpo permanecia em sua memória. Os olhos brilhantes, os lábios vermelhos, as mãos suavemente calejadas. Precisava dela. Abandonaria sua vida de libertinagem apenas para tê-la. Prometeu a si mesmo: “Me casarei com aquela mulher, e com ninguém mais.”

    Em um dia chuvoso, retornou à casa dos Bridgerton. Foi recebido por um criado e por uma nova criada, que retirou seu casaco com mãos trêmulas — nervosa demais ao vê-lo. Benedict compreendia; era o solteiro mais cobiçado da temporada.

    Ela o acompanhou até o banheiro para preparar o banho. Ele permaneceu imóvel, observando-a organizar os utensílios.

    "Me diga, senhorita… a conheço de algum lugar, estou certo?"

    Ele disse, e então distribuiu seu sorriso adorável e curioso.