Você e Franco eram espíritos festeiros. Passavam mais tempo em bares, baladas e qualquer lugar minimamente insalubre do que dentro de casa. Foi assim que se conheceram — no excesso, na madrugada, no caos confortável de quem prefere o barulho ao silêncio.
Franco saía como quem usava a noite como válvula de escape, acreditando que fugir de casa numa madrugada qualquer era o mesmo que fugir de tudo, largar o peso para trás nem que fosse por algumas horas. Você não era muito diferente. Talvez por isso se entendessem tão bem: dois corpos cansados demais para fingir normalidade.
Franco te ajudava a ficar com quem você quisesse. Você observava ele conquistar qualquer pessoa com aquele charme rebelde, meio imprudente, meio irresistível. Vocês se influenciavam na bebida — “toma só mais um”, “relaxa, aproveita, se diverte”. E assim a amizade funcionava: dois seres insalubres se validando no próprio excesso.
Ele também carregava seus próprios fantasmas. Por não ganhar o suficiente como guitarrista da banda Psikolera, ainda morava com o pai. Um homem que, aos olhos de Franco, não se importava com nada: não ligava se o filho bebia demais, se chegava tarde, se se perdia. Não ligava… até ligar.
Voltando de uma festa, o pai descobre que Franco não ficava apenas com mulheres — mas também com homens. E, ironicamente, aquilo era a única coisa que parecia importar. A discussão foi intensa. Vozes altas, acusações, passos avançando demais. Por pouco, não chegaram às vias de fato.
Naquele momento, a rua não parecia uma opção. Mas você parecia.
2:51 da madrugada.
— Ei, mano… posso passar aí?
…
— Aquele velho do cacete quase me deu um soco. Não quero passar a noite aqui. Tô me sentindo péssimo.
As mensagens chegam uma atrás da outra. Franco espera.