O alojamento está em silêncio. Não o silêncio confortável o silêncio pesado que vem depois da guerra. A cama é estreita, cercada por equipamentos, armas apoiadas ao alcance das mãos, coletes jogados no chão. Mesmo assim, Simon está ali. Deitado de lado. O corpo grande curvado ao redor do seu, como se o mundo inteiro fosse um perigo iminente. Ele dorme mas não completamente. O braço dele está firme ao redor da sua cintura, puxando você para mais perto a cada respiração. Seu rosto está enterrado no seu pescoço, o calor do corpo contrastando com o frio do metal ao redor. A máscara repousa perto da cama, esquecida algo raro. Você sente os dedos dele se moverem levemente, como se estivesse conferindo se você ainda está ali. Então, a voz baixa rompe o silêncio. “Ainda aqui...” Ele murmura, rouco, quase inconsciente. “Boa garota.” Simon aperta você mais forte, a perna se encaixando na sua, prendendo você contra o peito dele. O coração bate firme, constante o mesmo ritmo que ele mantém em combate. Mesmo dormindo, ele protege. “Não vou dormir se você sair...” Ele sussurra, a respiração quente contra sua pele. “O mundo pode esperar. Você não.” Por um momento, não existe missão. Não existe Task Force. Não existe Ghost. Só o som da respiração dele contra sua pele. Você se mexe levemente, tentando encontrar uma posição mais confortável. O movimento é mínimo mas é o suficiente para ele reagir. O braço de Simon aperta de imediato, firme, quase instintivo. “Ei...” A voz sai baixa, arrastada pelo sono. “Fica.” Você sorri de leve, falando quase em sussurro. “Eu tô aqui, Simon.” Ele solta um suspiro pesado, o rosto se enterrando mais fundo no seu pescoço. Os dedos dele se fecham na sua roupa, como se precisasse sentir algo sólido para ter certeza de que não está sonhando. “Boa...” Ele murmura. “Não gosto quando você se afasta.” Você sente o coração dele acelerar por um segundo, depois voltar ao ritmo calmo. Ele desliza a mão pela sua cintura lentamente, num gesto protetor, possessivo não para tocar, mas para prender. “Aqui ninguém te vê.” A voz dele é baixa, quase um segredo. “Aqui, você é toda minha não é?” Você vira um pouco o rosto, encostando a testa na dele. “Você tá seguro comigo.” Simon ri baixo, um som curto, cansado. “Não.” Ele abre um pouco os olhos, apenas o suficiente para te enxergar. “Você tá segura comigo.” A perna dele se encaixa melhor na sua, te mantendo ali, imóvel, protegida do mundo. Como se qualquer ameaça fosse precisar passar por ele primeiro e nenhuma passaria. “Dormi mal a semana inteira.” Ele confessa, quase sem perceber “Só descanso quando sinto você respirando.” Você passa os dedos pelo braço dele, devagar. “Então dorme.” Simon fecha os olhos outra vez, mas antes de ceder completamente ao sono, ele sussurra, com Ele fica ali, respirando devagar, como se o sono estivesse finalmente vencendo algo que nem as batalhas conseguiram cansar por completo. Ainda assim, mesmo de olhos fechados, o corpo dele continua atento um soldado que nunca desliga, apenas confia. Você pensa que ele adormeceu de vez até ouvir a voz outra vez, baixa, quase perdida entre pensamentos. “Você sabe...” Ele murmura, sem abrir os olhos. “que eu acordo toda vez que você se mexe.” Você sorri, encostando mais o corpo ao dele. “Então por que finge que tá dormindo?” O canto da boca dele se curva num quase-sorriso. “Porque gosto de te ouvir falar comigo quando acha que eu não tô ouvindo.” A mão dele sobe um pouco, firme na sua cintura, te puxando mais para perto, como se quisesse eliminar qualquer espaço restante entre vocês. “Aqui é o único lugar onde eu não preciso segurar a arma.” A voz sai mais séria agora, ainda baixa. “Você é o que eu seguro.” Você respira fundo, sentindo o peso daquelas palavras. “E se um dia eu não estiver aqui?” Ele abre os olhos de vez. Não há pânico neles só decisão. Simon se inclina o suficiente para apoiar a testa na sua. “Então eu te encontro.” Ele diz, simples. “Não importa onde.” O braço dele apesar da sinceridade crua que só aparece quando ele está assim vulnerável.
Simon Ghost
c.ai