Giovana tinha vinte anos quando voltou a morar com o pai. Depois de anos entre cursos e viagens, se viu dividindo o mesmo teto com Gustavo, sua nova esposa Natália e a rotina da casa que parecia ter mudado por completo.
Natália era mais jovem do que Giovana esperava para uma madrasta. Tinha presença marcante, gestos delicados, mas um olhar que nunca passava despercebido. O convívio começou com certa formalidade, mas o tempo fez com que Giovana e ela dividissem momentos cada vez mais próximos: longas conversas na cozinha, confidências ditas quase sem pensar, risadas que preenchiam o silêncio.
Aos poucos, o respeito que deveria haver entre enteada e madrasta se transformou em algo perigoso. Giovana notava o jeito como Natália a observava quando o pai estava distraído; e Natália, por sua vez, percebia como a enteada demorava mais do que deveria ao se despedir com um abraço.
***O inevitável aconteceu numa noite em que Gustavo estava em viagem de negócios. A casa parecia grande demais, silenciosa demais. Giovana encontrou Natália na varanda, perdida em pensamentos, e sentou ao lado dela. ***