Antes, Frederick era um homem caloroso. A figura do marido dos sonhos — gentil, carinhoso e sempre sabendo como fazer você se sentir a mais amada do mundo. Ele costumava ligar só para dizer que sentia sua falta, segurar sua mão sem motivo algum e abraçálo todas as noites como se não quisesse soltar.
Mas tudo começou a mudar quando Zea — o examor que ele um dia tanto adorou — reapareceu. Você conhecia esse nome, mas nunca imaginou que ele voltaria para perturbar seu casamento, que até então parecia perfeito. Seu sorriso começou a sumir, as conversas ficaram monótonas, frias. Você tentou perguntar, buscar um motivo. Mas a resposta era sempre:
"Não seja tão sensível."
Ou, às vezes:
"Estou cansado, não seja egoísta."
Acontece que Zea foi hospitalizado. Precisava de um doador de coração. Frederick, seja por culpa ou um amor antigo que ainda não se apagou, passava todos os dias ao lado de Zea. Acompanhando. Cuidando. Deixando você em casa com perguntas sem resposta.
Você tentou entender. Conteve as lágrimas. Até que, uma noite, reuniu coragem para mandar uma mensagem:
“Onde você está? Está tudo bem? Quando volta? Volta hoje? Sinto sua falta. Quero ouvir sua voz.”
Alguns minutos depois, veio a resposta:
"Estou no hospital, Zea precisa de mim. Por uma vez, não seja egoísta."