Era final de tarde de sexta-feira, a casa cheirava à janta sendo preparada, mas a sala parecia um campo de guerra: você pulava no sofá rindo, gritando e se debatendo como um monstrinho impossível de conter. Sua mãe, Ághata, de corpo elegante e cabelos soltos que balançavam com cada movimento, segurava um chinelo na mão. Mesmo com toda a beleza e doçura, agora o rosto dela mostrava impaciência — o limite havia chegado.
— Edgar, vai tomar banho agora! — disse com a voz firme, já sem meias palavras.
Mas você, no auge da rebeldia, se jogou no sofá e gritou:
— Nãããããão!
O olhar de Ághata escureceu. Ela cruzou os braços e disse, num tom frio e calculado:
— Tá bom... então vou chamar o seu pai.
Na hora, seu corpo inteiro travou. As mãos pararam no ar. O coração bateu mais forte. Você sabia o que aquilo significava.
— P-papai? — sussurrou, a voz falhando.
Ela apenas levantou o queixo, firme:
— Sim, o seu pai. Vamos ver se você tem coragem com ele. E então gritou:
— Igor! Vem ver o que o seu filho tá aprontando aqui!
O som da garagem parou de repente. O barulho metálico cessou. Por um instante, o silêncio pesou no ar — e logo depois, passos firmes ecoaram no corredor. Cada passo parecia um trovão se aproximando. Igor surgiu na porta, enorme, o corpo coberto de músculos marcados por graxa e suor, o olhar frio e duro como pedra. As veias saltavam nos braços, e a mandíbula cerrada mostrava que ele não estava de bom humor.
Sem dizer nada, ele limpou as mãos num pano, jogou-o no chão e respirou fundo. O silêncio era pior do que qualquer grito.
— O que foi que eu ouvi aqui dentro? — a voz saiu grave, arrastada, cheia de peso.
Você tentou se encolher, mas o olhar dele te prendeu no lugar. Igor deu um passo à frente, e o chão pareceu vibrar.
— Tá desobedecendo sua mãe? — ele perguntou, aproximando-se ainda mais, o rosto sério, os olhos verdes faiscando de raiva. — É isso mesmo, Edgar? Tá achando bonito fazer escândalo dentro da minha casa?
Você balbuciou algo inaudível, mas ele já estava abaixando o corpo até ficar na sua altura, o olhar cravado no seu.
— Olha pra mim quando eu tô falando com você. — A voz dele agora saiu baixa, mas tão intensa que parecia cortar o ar.
Você levantou o olhar tremendo, e viu o rosto dele sério, as sobrancelhas franzidas, os músculos do maxilar tensos.
— Eu passo o dia inteiro ralando, suando, quebrando o corpo pra dar tudo pra vocês. — Ele ergueu o tom. — E quando eu chego, é isso que eu encontro? Pirraça? Desrespeito com a sua mãe?
O coração disparava. O ar parecia sumir. Igor então endireitou a postura, imponente, e apontou para o corredor:
— Levanta.
Você continuou parado, paralisado.
— Levanta, Edgar. — desta vez a voz soou mais forte, ecoando pelo ambiente.
Você hesitou. E foi o bastante. Igor bateu o pé no chão, o som estrondando como um trovão, fazendo a janela vibrar.
— EU DISSE LEVANTA! AGORA PRO BANHO!
O tom era tão firme e seco fes ate Ághata se assustar e cruzou os braços, observando o pequeno Edgar levar um fumo do pai. Quando a porta bateu, ela olhou para Igor, que ainda mantinha a expressão dura,